Muita gente me pergunta se não acho que o Yoga deveria ser mais preservado, exposto somente a pessoas "dedicadas e disciplinadas", como num retorno ao seu primordial passado de transmissão mestre-discípulo, conhecido pelo termo genérico de Parampara (que significa sucessão). Essas mesmas pessoas também acham que "ainda" não estamos preparados para receber ensinamentos tão preciosos e refinados, de Mestres tão superiores e especiais, como os do Yoga. Essas pessoas também se incomodam com o conceito de "ser popular", que envolve o Yoga na atualidade.
A realidade, goste-se ou não, é que o Yoga já é pop (verdade que muito mais fora do que dentro da própria Índia)!
Na minha concepção, o que é útil deve ser devidamente compartilhado, numa linguagem acessível, de uma maneira interessante de se entender. E com os ensinamentos do Yoga também deveria ser simples assim (não confundir com simplista - definição que, devo lamentavelmente admitir, norteia grande parte das publicações e das matérias sobre Yoga disponíveis).
Já faz muito tempo, li uma declaração de Yogananda, que considero bastante compatível com este tema:
"O Yoga é para todos: para a gente do Ocidente como para a do Oriente. Ninguém diz que o telefone não serve para o Oriente só porque foi inventado no Ocidente. Do mesmo modo, as técnicas do Yoga são úteis a toda a humanidade."
De fato, o que estou tentando dizer é que, gente é gente em qualquer canto do planeta: com virtudes e vícios, com acertos e erros, com momentos bons e ruins.
O Yoga foi concebido para toda gente que quer, em algum momento da vida, saber sobre si, se conhecer, se entender, aprender a se aceitar e, quem sabe, poder vir a se modificar, para tentar encontrar a provável resposta que porá fim a uma incessante angústia existencial.
No fundo, o Yoga é para toda gente que vive e experimenta aquele vazio que nunca se preenche totalmente; aquela ausência, não se sabe ao certo do quê nem de quem; aquela insatisfação, mesmo quando tudo parece estar certinho no seu lugar.
Pois é, todos os grandes Yogis, através dos tempos, estavam mesmo certos: o Yoga é para todos. Muito embora tenha, geograficamente, nascido na Índia. E mesmo que, ainda hoje, alguns prefiram continuar fazendo questão de achar que é especialmente mais para uns do que para outros.
Vídeo:
Assista Paramahansa Yogananda ensinando como dormir corretamente, em Londres, 1936. Uma ótima oportunidade de tentar compreender por que os verdadeiros Yogis nunca se importaram de ser populares. Escrito por rosana biondillo às 10h21
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De partir o coração
Vou deixar aqui a notícia, com extrema indignação e com o mais profundo desejo que, o cidadão em questão, não se ache no "direito astrológico" (no corpo da notícia, logo abaixo, você fica sabendo o por quê do termo "astrológico") de sequer vir a considerar a remota possibilidade de "concretizar esse casamento".
Na Índia, assim como em outros países, as mulheres ainda são seres humanos de segunda, terceira, quarta categorias. E os animais, ora idolatrados ora amaldiçoados, não são realmente respeitados.
Seria mais do que interessante refletir sobre o fato que idolatrar não é, nem de loooooooonge, o mesmo que respeitar.
O olhar cansado, triste e distante da cachorrinha Selvi é de partir o coração.
"O indiano P. Selvakumar casou-se com a cadela vira-lata Selvi em uma tradicional cerimônia hindu em Manamadurai, no sul do país, no último final de semana. A "noiva" estava usando a tradicional roupa de casamento, enfeitada com flores.
Selvakumar decidiu casar-se com uma cadela por acreditar que está "amaldiçoado", após ter matado dois outros cachorros por apedrejamento, há 15 anos.
"Depois disso minhas pernas e braços ficaram paralisados e eu perdi a audição em um dos ouvidos", ele afirmou ao jornal "Hindustan Times".
Selvakumar consultou um astrólogo, que lhe disse que a única forma de curar a maldição era casando-se com uma cachorra.
Segundo o jornal local, a família de Selvakumar ganhou uma festa após a cerimônia. Já a cadela Selvi, um pão doce."
Estreou em outubro, na meca do cinema indiano, Bollywood: Om Shanti Om.
Pensei em voz alta:
- Título mais Yoga que esse, só dois desse!
A história se passa nos anos 70. Um artista aficcionado por uma superstar. Ele morre e renasce como um artista mirim, que começa a ter estranhos sonhos e vibrações de seu último nascimento. Seus nomes?
Ele é Omprakash. Ela é Shantipriya. Daí o nome do filme: Om Shanti Om.
Huuuummmm...
Sem comentários.
Ainda assim, vale uma olhadinha neste clipe do YouTube, com direito a chacoalhar os ossinhos com a música-título.
Iyengar diz, em uma de suas entrevistas, que os portões de entrada para a meditação são asana e pranayama, e que, se esses portões não estiverem devidamente abertos, não há como distinguir entre alguém que medita de um esquizofrênico.
De forma semelhante, o psicólogo Daniel Goleman corrobora com essa colocação, ao afirmar que a meditação pode não ser apropriada em determinadas condições mentais agudas, como a esquizofrenia e os transtornos obsessivo-compulsivos, conhecidos sob a alcunha generalizada de TOC.
Algumas outras condições mentais severas, como a depressão (que já mostra indícios de poder se transformar numa epidemia), a síndrome do pânico e o transtorno bipolar, também devem ser minuciosamente avaliadas. Algumas práticas meditativas podem vir a agravá-las, ajudando a mascarar diagnósticos e até a exacerbar certos sintomas.
Nos meios do Yoga, em casos tragicamente bizarros, alguns desses "sintomas" chegam a ser confundidos com "sinais de evolução" dentro da prática - o que é, além de patético, perigoso e até criminoso.
Os distúrbios mentais devem ser abordados e tratados por equipes profissionais multidisciplinares, mormente por médicos e psicanalistas. A meditação entraria como um elemento mais elaborado, desejado e amado, uma espécie de "premiação", que seria necessário fazer por merecer.
Portanto, uma vez definido o diagnóstico, o tratamento médico deveria vir antes, e funcionar, produzindo resultados significativamente satisfatórios. Já a introdução de práticas meditativas específicas deve ser minuciosamente estudada, caso a caso.
No Yoga de Oito Partes de Patañjali, o Ashtanga Yoga, a meditação [dhyana] é uma pré-iluminação [um pré-samadhi], que requer, entre outros atributos, boa vontade, disciplina e prévia preparação, física e mental, por meio dos seis estágios anteriores da prática, que englobam: os dez preceitos éticos [yama & niyama], as posturas [asana], as técnicas de respiração [pranayama], o relaxamento consciente [pratyahara] e a concentração [dharana].
Isso porque, para Patañjali, assim como expressado por Iyengar, corpo e mente devem estar "abertos e receptivos", retamente ansiando e cooperando para o pleno estabelecimento do estado meditativo.
Nesse contexto específico do Yoga de Patañjali, em corpos e mentes "fechados e embotados", há ainda muito o que fazer antes de se pensar diretamente na meditação como um suposto paliativo.
A meditação também pode ser uma forma de fuga e se transformar numa patologia - o que parece estar se tornando mais freqüente.