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O CONFORTO DE SE VIVER NA IGNORÂNCIA

Neste exato momento, muitos de nós desejaria não ter tido que saber sobre algum fato, seja lá o que for.

Várias vezes, já me peguei pensando que tem coisas que é "melhor" a gente não saber. É que viver no território da ignorância não é nada mal. Pelo menos, até a gente descobrir que é ignorante. Aí, as coisas mudam de figura. Ou não.

Veja que eu não estou me referindo somente ao aspecto educacional ou intelectual da ignorância, mas a tudo aquilo que, por mais comum e corriqueiro que possa parecer, nós ainda não sabemos. De fato, estou falando das pequenas ignorâncias do nosso dia-a-dia, daquelas ignoranciazinhas que, aparentemente, parecem não trazer nenhum problema ou consequência. Porque as grandes ignorâncias, aquelas que gritam na nossa cara, as supremas ignorâncias históricas, essas, a gente vai, mais cedo ou mais tarde, ter que reconhecer. Elas fazem parte de um grande e engenhoso processo de aprendizado e mudança. Mas a miudinhas, essas podem persistir absurdamente, durante anos, sem que a gente sequer se dê conta disso.

Pode parecer que estou brincando ao citar este exemplo, mas é sério, e me serviu como exemplo, bem-humorado espero, durante uma aula ainda ontem, falando a um grupo de alunos. É sobre uma cena do sitcom The Big Bang Theory, onde o personagem Sheldon (magnificamente interpretado por Jim Parsons) está "tentando" jantar num restaurante chinês com dois dos seus três inseparáveis amigos.

Por ser um gênio obsessivo-compulsivo, ao fazer o pedido dos quatro biscoitos da sorte de sempre, Sheldon diz que eles estão apenas em três e que isso vai ser um problema, pois não é assim que devia ser. O quarto amigo faz muita falta, porque vai sobrar um biscoitinho! Os outros dois sugerem outras opções do cardápio, mas, é lógico, nada dá certo. Até que o dono do restaurante, um "chinês" nascido em Sacramento, na Califórnia, que não aceita substituições e nem reduções nas quantidades (a porção de quatro biscoitos é de quatro biscoitos e ponto final), sugere que pode deixar cair um dos biscoitinhos sem querer, como se fosse um acidente, para que eles possam ficar apenas com três. Os outros dois, mortos de fome e querendo acabar logo com aquilo, acham a idéia ótima, mas Sheldon diz que não vai dar, que é tarde demais pra fazer isso. Todos perguntam por quê e ele responde:

- Porque agora eu sei!

Esses pequenos jeitinhos que arranjamos para fazermos de conta que não sabemos aquilo que sabemos é comum na vida de todos nós, porque parecem inofensivos e até inocentes. São quase uma polida maneira dissimulada de ser e de viver.

Fazer vistas grossas é um ditado antigo, mas que me parece bem apropriado para definir situações em que a gente sabe, mas faz de conta que não sabe. A gente tem consciência da "coisa", mas finje que é ignorante. Afinal, muitas vezes, é mais confortável se viver na ignorância.

Boas reflexões! 

Ah, e se divirtam um pouquinho com o Sheldon e sua turma no vídeo aí embaixo:



Escrito por rosana biondillo às 06h59
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NOSSO INESQUECÍVEL & "IRREPETÍVEL" CAFÉ FILOSÓFICO

Não tenho palavras para agradecer e nem para descrever esse sentimento. É, sem dúvida, indescritível.

Como, provavelmente, diría Sivananda nessa hora:

Como explicar a cor vermelha para quem nunca enxergou? Ou como descrever o sabor de uma maçã para um esquimó, por exemplo?

Eu, de minha parte, nem me atrevo a tentar. E, se você, além de me conceder o privilégio de acompanhar este blog, também é praticante de Yoga, vai sentir este momento como puro santosha.

Fiquem apenas com as intimistas, aconchegantes, inteligentes e felizes imagens desse inesquecível encontro - que, nas inspiradas palavras do Aldo Novak, é irrepetível.  

Muita paz e muuuuuuito obrigada a todos, indistintamente, quer tenham ou não estado lá com a gente.

Rosana

P.S.: Lembrando que este é o nosso espaço de aulas no Jardim América, aqui em Sampa. Para todas as informações, por favor, acesse o blogagenda: http://rosanabiondillo.blogspot.com .



Escrito por rosana biondillo às 15h09
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NÃO OLHAR PRA TRÁS

Esta semana, assistindo ao sitcom Felicity, no canal Sony, a personagem central (a própria Felicity) diz que o difícil não é seguir em frente: o difícil é não olhar para trás.

De fato, ir pra frente é quase uma atitude automática, impensada e apressada que, quando vamos parar pra perceber o que aconteceu, já aconteceu. Especialmente, numa sociedade que priorizou a seguinte frase:

A fila anda! 

E a gente deduz que ande pra frente.

Deve ser uma coisa parecida com ter que deixar Sodoma sem olhar para trás, para não virar estátua e pó.

Quantos de nós consegue, verdadeiramente, deixar o passado lá para trás, por pior ou por melhor que tenha sido?

Tenho minhas dúvidas de que a gente consiga mesmo, simplesmente por repetir que a fila anda e que o melhor é olhar pra frente porque atrás vem gente.

Memória é memória e esquecer significa não lembrar. Neste caso, o que já foi vivido e não deve ser revivido. 

Seria uma coisa assim como uma espécie de amnésia consensualmente induzida.

Mas, e se a memória for cósmica, quântica, transcendental e atemporal?

Bom, aí acho que não deve ter problema, porque também não deve ter passado.

Ou, talvez, o melhor seja apenas esquecer o que eu disse e seguir em frente. Porque atrás, certamente, vem muita gente!

 



Escrito por rosana biondillo às 18h16
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O MAIOR AMOR DE TODOS OS MUNDOS

Porque onde está o seu tesouro, aí estará seu coração.

É uma frase do Evangelho de Lucas que me fala profundamente e que me guia nos momentos em que preciso me recordar do amor essencial que habita em mim e refletir sobre o que, de fato, tem significados preciosos em minha vida, sobre os meus tesouros pessoais.  E, pra mim, o "local" onde mora esse valoroso amor pleno de significações é o Coração, com maiúscula: como as cidades, os estados, os países, os planetas, as constelações, as galáxias, os multiversos e todos os oceanos, tanto os aquáticos quanto os astrais.

O interessante é que essa passagem bíblica também me lembra um conto indiano, que vou recontar aqui: sobre a disputa entre Ganesha e seu irmão Kartikeya pelo amor da mãe, Parvati.

Certa vez, Ganesha e Kartikeya estavam discutindo sobre qual dos dois amava mais a mãe, Parvati. A discussão já estava indo longe demais quando Parvati, como toda mãe, incomodada com a disputa dos filhos, resolveu pôr fim ao caso. Para isso, chamou-lhes a atenção e disse que iria lançar um desafio, cujo resultado poria fim definitivamente à briga infantil entre eles. Ganesha e Kartikeya aceitaram o desafio. Parvati explicou-lhes, então, que aquele que primeiro desse uma volta inteira ao redor do mundo, teria por ela o maior amor.

Atlético e vigoroso, Kartikeya, mais do que depressa, pegou seu animal de montaria, um pavão, e lançou-se à aventura, arrogantemente proclamando-se vencedor por antecipação. Já Ganesha, gordinho, com uma pesada cabeça de elefante, mais intelectual, não saiu do lugar. Parvati mostrou-se preocupada por poder estar privilegiando Kartikeya em detrimento de Ganesha, mas como a coisa já estava feita, não teve mais tempo de voltar atrás.

Quando, no final da história, Kartikeya retorna confiante, com a certeza de ter sido o vencedor, encontra Ganesha confortavelmente sentado, saboreando algumas frutas trazidas especialmente para ele por sua mãe. Nesse instante, Parvati declara Ganesha o grande vencedor da prova. Consternado, Kartikeya exige explicações. Ganesha diz então a seu irmão que, enquanto ele estava se esforçando para dar sua volta ao mundo, ele apenas ouviu seu coração e deu uma volta ao redor de sua mãe, que era, de fato, o seu mundo.

Vendo a emoção de Parvati, Kartikeya não teve como não aceitar a supremacia de Ganesha que, com um gesto tão terno e singelo, mostrou que tinha por sua mãe o maior amor do mundo.

Quando o amor verdadeiramente nasce, cresce e vive no Coração, todas as acrobáticas e performáticas disputas perdem a razão de ser e tudo se torna muito mais simples, sereno e até gracioso, como essa voltinha de Ganesha. 

Quanto à frase de São Lucas, gosto de sentir que também pode ser assim:

Porque onde está seu coração, aí estará o seu tesouro.

É que o amor que a gente ama com a imensidão do Coração é o nosso grande e incalculável tesouro, é o maior amor deste e de todos os mundos.

Boas reflexões!



Escrito por rosana biondillo às 17h21
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O SUCESSO DO NOSSO CAFÉ FILOSÓFICO: TODOS OS LUGARES ESTÃO PREENCHIDOS!!!

Ontem de manhã, o convidado do nosso Café Filosófico desta sexta, 23/10, o autor Aldo Novak, esteve comigo no espaço do SYS e da Casa Totalidade aqui em Sampa para conhecer o local e decidir alguns detalhes de finalização.

"Sempre que possível, gosto de visitar todos os ambientes para os quais sou levado, para 'tocar' o espaço e me preparar para que possa transmitir o melhor de mim, para o público", explicou Aldo durante a visita. E completou: "Será a primeira vez que participo de um evento neste formato, mais intimista, por isso quero ajudar no que for necessário, para que os resultados para todos seja o melhor possível".

A verdade é que toda a dedicação no projeto de elaboração do nosso Café se traduziu em um grande sucesso. Os nossos 60 lugares tem uma lista de reservas de 80 pessoas e uma lista de espera com 20. Por isso, é importante que sejam observadas certas condutas para que possamos garantir a atmosfera aprazível e confortável do nosso encontro:

1) Se seu nome e de seus acompanhantes já estão em nossa Lista de Reservas, é imprescindível que sejam reconfirmados até amanhã, 20/10. Caso isso não ocorra, os nomes serão colocados em nossa Lista de Espera, pela ordem já iniciada.

2) Os horários para chegada, realização do pagamento e acomodação são os seguintes:

- A partir das 19:20 e até às 20:10 para quem estiver em Lista de Reserva.

- Entre 20:10 e 20:30, abriremos os lugares remanescentes para os inscritos em Lista de Espera.

3) É imprescindível chegar nos horários estipulados para que possamos iniciar no tempo previsto.

Para saber tudo sobre este acontecimento, é só rolar a barra lateral, duas postagens abaixo desta, em:

Café com Sonhos & Segredos: Como Realizar Seus Sonhos com a Lei da Atração

Agradeço imensamente a colaboração e compreensão de todos.

Namaste!

Rosana



Escrito por rosana biondillo às 13h10
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OUSE PENSAR DIFERENTE

Há pouco mais de uma década, a Apple lançava sua campanha publicitária com o slogan Pense Diferente.

O comercial original, veiculado na época, é, na minha opinião, maravilhoso. E tem um alcance que, de forma meio inusitada, acabei mencionando em uma de minhas aulas recentes.

Foi quando um aluno questionou sobre a validade de continuarmos investindo em nossos sonhos e convicções, quando ninguém mais parece compreender sua atitude ou mesmo acreditar que você possa, mesmo que momentaneamente, estar certo.

É lógico que não existe uma resposta pronta e nem uma fórmula mágica, que ateste que você está no caminho certo. Mas, eu não conheço outra maneira de se alcançar objetivos, que não seja o da prática da perseverança, da disciplina, da fé inabalável e do amor à vida. Como também ainda não conheço nenhum comportamento que exclua completamente o erro. Pois mesmo que você erre, e todos nós erramos muito, é transformador saber que o aprendizado advindo sempre será superior ao erro cometido.

Dê uma espiadinha no comercial original, de apenas 1 minuto, no vídeo abaixo. E aprenda a ser mais ousado naquilo que, realmente, pode fazer a diferença. Mesmo que digam que você está ficando louco. Pode ter certeza de que você não será nem o primeiro e nem o último a ouvir isso.

Boas reflexões a todos!



Escrito por rosana biondillo às 13h16
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A ETERNA NAMORADA

Transitando pelo universo dos relacionamentos amorosos, resolvi deixar aqui uma idéia para reflexão, de como, na minha opinião, um homem não deveria se referir à sua mulher, seja ao mencioná-la, ao falar dela ou apresentá-la.  

Guarde bem esta palavra:

C O M P A N H E I R A

Não tem nada menos romântico e poético do que "companheira".

Pra mim, isso é coisa de partido político, de sindicato, ou de séries de tv cult, tipo Agente 86 e MASH, onde companheira e camarada são a mesma coisa.

Mulheres amadas, desejadas, respeitadas e admiradas são apenas namoradas, esposas, provavelmente deusas, musas, até mesmo amadas-amantes, como diz o Roberto na canção... Ou, simplesmente, mulheres mesmo!

E muito embora eu entenda a profundidade intencional empregada nesse termo, e a valorize em alguns contextos bem humanizados, como o do Yoga, por exemplo, não consigo me esquecer do ótimo Sílvio Santos gritando para suas não menos ótimas companheiras de trabalho:

- Quem quer dinheiro?

E, espontaneamente, me veio o pensamento de que é sempre bom lembrar do antigo ditado, que diz que o inferno está cheio de boas intenções.

Grande parte das vezes em que ouvi um homem se referir à sua mulher como "minha companheira", o panorama a ser visualizado era o de ela ter que suportar muitas agruras e umas poucas gostosuras (só para rimar). Como se a parte da "companheira" fosse sempre aquela de ajudá-lo a carregar um fardo - que, diga-se de passagem, parece ser pesado, bem pesado!

Com raríssimas exceções, que não poderia mencionar agora, o conceito geral descritivo amoroso para companheira parece estar inserido numa escala de resistência à dor: quanto mais resistente, mais companheira.

O mais acertado, penso eu, é colocar a intenção amorosa e o sentimento amoroso na linda e contente palavra que vai descrever a mulher da sua vida hoje.

Ah, e só registrando:

Essa dica vale para as mulheres na mesma proporção e intensidade, é claro! 

Porque pior do que "companheira", só "companheiro" mesmo!!!



Escrito por rosana biondillo às 14h12
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CAFÉ COM SONHOS & SEGREDOS EM 23 DE OUTUBRO DE 2009

Sugiro que você, paciente e atentamente, vá seguindo a sequência, como numa receita de bolo.

No final, vamos acabar tomando um café e conversando sobre sonhos, segredos e como realizá-los.

Sem mágicas. Sem apelações. Sem distorções.

I - Só há espetáculo quando há platéia 

por Aldo Novak

Há dias em que você pensa: por que aquela pessoa se comporta daquele jeito comigo? Por que ela faz aquilo?

Talvez sejam seus pais. Talvez um chefe. Talvez um cliente. Pode ser seu marido, ou esposa. Seja como for, as pessoas sempre "dão show" quando há alguém para participar. Se um familiar se comporta de modo grosseiro com você, experimente tornar-se a neutralidade em forma de gente. Simplesmente pare de reagir ao ataque. Aceite. Tudo aquilo a que você resiste, persiste.

Como nas artes marciais, usamos sempre a força do oponente contra ele próprio. Se você dá atenção aos ataques verbais, de quem quer que seja, se torna imediatamente "platéia". E ele - ou ela - sente a necessidade de fazer seu show.

Lembre-se, também, que muitas pessoas dão seus shows simplesmente porque foi assim que elas aprenderam a relacionar-se. É um script que está fortemente enraizado em suas mentes.

Não raro, tais pessoas querem se aproximar, fazer contato, mas como são inábeis, usam o pseudo contato. Brigam, discutem, criticam e dão bronca apenas porque não sabem como se aproximar de você. Olhe, escute, mas não permita que tais shows entrem em sua mente. E, quando puder, afaste-se. Lembre-se: só há espetáculo quando há platéia.

Há alguém preparando seu show para você hoje? Não aplauda, não vaie. Apenas dê um sorriso e, quando o espetáculo acabar, saia do auditório. E não comente com ninguém!

II - Conheça um pouco sobre o livro O Segredo Para Realizar Seus Sonhos:

III - E um pouco sobre o filme Você Atrai o que Transmite:

IV - Agora, um pouco sobre Aldo Novak:

Aldo Novak é conferencista, jornalista e coach.
 
Estudou coaching com Thomas Leonard, considerado o "pai do coaching", da Coach University (EUA), até 1994. Em 2001, tornou-se um dos primeiros membros da Coachville, de New Jersey (EUA), hoje com mais de 30 mil associados. Ele é conhecido por seu foco em ajudar pessoas a provocarem mudanças positivas em suas vidas, compreendendo aquilo que desejam, estabelecendo métodos para atingirem suas metas e executando-as. Ele também é apresentador e co-roteirista do filme Você Atrai o que Transmite.
 
Jornalista, Novak trabalhou em TV, rádios, jornais, revistas e web por mais de 15 anos. Tem formação em PNL e linguagem hipnótica.
 
Além de trabalhar com clientes, como coach, para profissionais e corporações brasileiras, ele também é um dos maiores especialistas brasileiros em Mapas Mentais / Mind Maps, uma técnica de gestão de conhecimento e planilhamento gráfico de trabalho.
 
É autor e apresentador de uma coleção de 12 DVDs chamada Pessoa Melhor, Empresa Melhor, que tem as corporações como público-alvo e, também, do DVD Lei da Atração - Decifrando o Grande Segredo, indo na contra-mão dos que acham que a "Lei da Atração" seria algum tipo de magia - o oposto do que defende Novak.
 
Em 2008, tornou-se autor do best seller O Segredo para Realizar Seus Sonhos, livro que explica de modo cognitivo o famoso "The Secret”.
 
Recentemente, ele foi citado pela revista Veja, em matéria da capa sobre o filme/livro "O Segredo" e entrevistado por diversas revistas e jornais sobre a Lei da Atração -- incluindo a revista Vencer.
 
Aldo Novak foi escolhido como porta-voz oficial do filme O Segredo, no Brasil, e logo em seguida a editora Ediouro também passou a tê-lo como divulgador do livro, indicando-o para várias palestras sobre o tema. Hoje, mais de 120.000 pessoas já assistiram suas apresentações por todo o País. Atualmente, Aldo Novak é também porta-voz do filme Você Pode Curar Sua Vida, de Louise Hay, e embaixador do DVD da palestra de Stephen R. Covey, O Oitavo Hábito.
 
Foi o único conferencista brasileiro escolhido para participar do The Secret Brasil, trabalhando diretamente com Bob Proctor em palestras em nosso País. Foi escolhido como Destaque Educacional do ano pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento do Paraná e eleito um dos melhores conferencistas do Congresso Mundial de Marketing e Vendas.
 
Foi eleito, em 2008, membro da Academia Guarulhense de Letras.

Aldo também é praticante de Yoga.
 

V - E, finalmente, meu convite a todos vocês, indistintamente:

Café Filosófico do SYS - Shantih Yoga Studio & Casa Totalidade - Editora

Como Realizar seus Sonhos com a Lei da Atração com Aldo Novak
 
Este é um Café Filosófico no molde dos cafés parisienses dos anos 60, como os apresentados pela TV Cultura, onde o convidado "conversa" com as pessoas, discorrendo plenamente sobre o tema proposto. 
Há café de verdade, com algo para saborear, mesinhas e cadeiras colocadas numa área muito aconchegante.
 
Você deve deixar seu nome, bem como de seus acompanhantes, o quanto antes, em lista de reserva, no email yoga@globo.com . Essa lista é montada de acordo com a ordem de chegada dos emails. Quem se inscrever antes terá prioridade nas reservas e na lista de espera. 

No dia 23/10, chegue trinta minutos antes, para realizar o pagamento no próprio local (não serão aceitos cheques ou cartões).  

O valor para duas pessoas é de apenas R$ 25,00. Individual, só R$ 15,00.

Anote o dia, horário, local e venha conversar, tirar suas dúvidas e preconceitos sobre este assunto tão fascinante com quem realmente sabe: Aldo Novak! Pois este é um evento aberto a todos, indistintamente, idealizado para quem acredita na "lei da atração", para quem não acredita e para quem nem sabe o que é isso. E, venha, é claro, tomar um café com a gente!

23 de Outubro de 2009 - sexta-feira - das 20:30 às 22 horas

Rua Engenheiro Alcides Barbosa, 29 - Jardim América - São Paulo

Veja a localização: http://tinyurl.com/y8jbr59

Para mais informações e reservas: yoga@globo.com / (11) 3891-2322

Conto com a presença de vocês!

Rosana

Nota: Aldo Novak estará, já a partir das 20h00, autografando seus livros e o filme "Você Atrai o que Transmite", documentário do qual é co-roteirista e apresentador. Para saber mais sobre as atividades do nosso palestrante, acesse:

- Website Oficial: www.aldonovak.com.br

- O Segredo Para Realizar Seus Sonhos: www.osegredoparaseussonhos.com.br



Escrito por rosana biondillo às 08h41
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ANIMAIS SAGRADOS OU ESCRAVIZADOS?

Este tema é sempre polêmico. Por isso, deixo a notícia como link para nossa reflexão:

Elefante avança contra multidão durante festival na Índia

Um elefante avançou contra uma multidão que participava de um festival religioso na Índia, causando pânico entre os participantes.

Segundo o tratador do animal, ele provavelmente ficou assustado e se descontrolou. 

A polícia só conseguiu conter o elefante minutos após o incidente.

Seis pessoas ficaram feridas.

Segundo o tratador, o animal, de apenas três anos, se assustou com o toque dos sinos que anunciavam o início da procissão.

Fonte: G1



Escrito por rosana biondillo às 10h35
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UM PALÁCIO DE OURO NO TOPO DO MUNDO: METÁFORA DA RENÚNCIA

- "No outono de 1861, eu estava em Danapur como contador do Departamento de Engenharia Militar do Governo", diz Lahiri Mahasaya.

Foi quando seu chefe o chamou e o notificou do recebimento de um telegrama, que pedia sua transferência imediata para um posto do exército localizado em uma aldeia no sopé dos Himalaias. Lahiri deixa, então, sua mulher e filhos e parte para as sagradas montanhas. Chega ao seu destino, acompanhado de apenas um assistente, trinta dias depois.

Sem nada de complicado ou demorado para fazer no escritório do posto, Mahasaya passeia pelos arredores das montanhas geladas, sempre com a nítida sensação da "presença" dos grandes homens sagrados que, dizia-se, habitavam aquele local. Como se já tivesse estado ali antes, ouve chamar seu nome e sente-se cada vez mais atraído em direção a uma clareira, que culminava numa seqüência de cavernas. Nesse cenário, vê um homem jovem, em pé, sorrindo para ele e lhe estendendo a mão, que diz:

- "Lahiri, você veio!".

E completa:

- "O escritório foi trazido para você e não você para o escritório."

Era o imortal Yogi Babaji, seu Mestre através das existências, que o havia levado até lá, até Ele.

Nesse ponto, o conto assume uma beleza sublime, descrevendo o amor incondicional do Mestre por seu discípulo. Babaji toca a testa de Mahasaya e este, como que acordando de um sonho, prostra-se aos Seus pés e o reconhece como seu adorado Mestre. Babaji fala, então, com voz celestial, de como Lahiri se perdeu Dele e "desapareceu nas tumultuosas ondas da vida após a morte". Fala de como o apego que gerou seu karma o trouxe de volta para poder realizar seus desejos materiais.

- "Por mais de três décadas espero que você retorne para mim", diz o sagrado Yogi.

E completa:

- "Embora seus olhos tenham se perdido de mim, meus olhos nunca se perderam de você. Eu o segui através do luminescente oceano astral onde os anjos gloriosos velejam."

E Mahasaya, olhando ternamente para seu Guru na vida e na morte, murmura:

- "Onde já se ouviu falar de um amor assim, imortal?"

Depois desse encontro (que por mais que queira, não me atrevo a adjetivar), Babaji dá a Mahasaya um pouco de óleo para beber e lhe pede que entre nas águas geladas do Rio Gogash para purificar-se. Ele obedece e fica maravilhado com o "calor cósmico" que envolve seu corpo. Depois de algum tempo, por volta da meia-noite, seu solitário fluxo de purificação é interrompido por um homem, que o ajuda a sair do rio e lhe traz roupas quentes, convidando-o a seguí-lo para encontrar-se com seu adorado Guru.

No caminho, Lahiri avista soberanos raios de luz dourada intensamente brilhantes, que pensa ser o Sol.

- "Não, não é o Sol, meu amigo" , diz seu acompanhante.

Na verdade, era um palácio totalmente feito de ouro, inscrustrado com as mais preciosas pedras, no mais suntuoso e magnânimo estilo.

- "Babaji materializou este palácio de ouro especialmente para você, pois você desejou desfrutar das belezas e delícias de um palácio. Nosso Mestre está agora satisfazendo seu desejo para libertá-lo dos desígnios de seu karma."

E acrescentou:

- "Este magnífico palácio será o cenário de sua iniciação no Yoga."

O conto transcorre de maneira reveladora e profunda, e eu não pretendo aqui terminar de recontá-lo. Mas, nesse ponto, você deve estar se perguntando:

Por quê um palácio de ouro e não uma simples caverna, como cenário para uma cerimônia de iniciação no Yoga?

Por quê a suntuosidade e não a simplicidade?

Por quê a riqueza e não a pobreza?

Primeiramente, porque Yoga é um estado interno, interior. O cenário externo é, portanto, contextual.

Mas a resposta se encontra em uma palavra:

D E S E J O

Lahiri Mahasaya, assim como você e eu, desejou. Quis possuir um palácio de ouro e, portanto, gerou a semente para uma ação concreta futura.

Foi um desejo forte e autêntico, que gerou apego à sua realização e se ergueu como uma espécie de impedimento, um obstáculo no caminho de sua Iluminação.

Em outras palavras:

Ou renunciamos de forma completa, autêntica, integral e consciente aos nossos mais profundos desejos, ou teremos que, primeiro, realizá-los para que possamos, legitimamente, vir a renunciá-los.

O caminho da realização sempre passa pelo caminho da renúncia, do desapego e do desprendimento.

Boas reflexões a todos!!!

Nota: A imagem é do Palácio de Mysore, na Índia. A história, que recontei aqui, se encontra no livro Autobiografia de um Yogi, de Paramahansa Yogananda.



Escrito por rosana biondillo às 08h05
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COMO TRANSFORMAR PEDRA EM GENTE

Devo confessar, que eu já me peguei imaginando se a maioria dos professores de Yoga (aqui incluindo tanto homens quanto mulheres) eram mais sérios do que eu. E isso, lógico, tem um fundamento vivencial, de tudo o que experimentei nos estúdios que pratiquei ao longo da vida, e profissional também.

Digo profissional porque, como professora, recebo praticantes de outros estúdios, que, obviamente, estudaram com outros tantos professores. E, no começo, já no primeiro bate-papo, identifico a seriedade na postura, a economia de sorrisos, a fala controlada, a procura por termos certos e precisos.

Por um lado, fico contente, pois isso demonstra interesse em buscar o melhor da prática, e isso é bom.  Mas, por outro lado, todos esses anos de estrada me provaram que nem todo interesse é interessante.

Parece redundância eu falar em interesse interessante, mas você vai compreender o que quero dizer aqui:

Nem todas as pessoas interessadas em alguma coisa têm objetivos interessantes em relação a essa coisa.

É exatamente aí que uma certa seriedade calculada vem a calhar, pois preenche os espaços em branco deixados pelo que é, em maior ou menor proporção, um tanto quanto desinteressante.

Veja bem, eu estou falando em Yoga porque essa é a minha vida, a minha profissão e a temática básica deste blog, mas você pode substituir por qualquer outra coisa.

Paleontologia, digamos?

O que estou tentando colocar, é que a seriedade não tem o poder de transformar o desinteressante em interessante, como num passe de mágica. Aliás, nem em dois, três, dezesseis passes de mágica!!! Não é assim que a coisa funciona.

Quer ver outro exemplo até comum, que faz parte da vida da gente?

Quando um relacionamento, que consideramos importante, começa a ficar um tanto desinteressante, até mesmo como um sistema de defesa, a gente dá um jeito e o transforma num relacionamento sério.

A partir daí, de forma quase serial, vamos criando protocolos, planilhas explicativas e tudo o mais que possa conceber nossa vã imaginação. Isso porque, sem sequer percebermos, costumamos confundir o que é importante em essência com o que é apenas sério em aparência.

Aquela espontaneidade relaxante (que, preste bem atenção, nada tem a ver com relaxada) vai se diluindo e acaba se transformando numa lista de obrigações e cobranças. Só que, nem tudo nessa lista é, de fato, importante.  E isso sim, é muito sério mesmo - sem nenhuma intenção de apenas fazer trocadilho.

Agora, voltando à coisa séria da seriedade, lembro-me de que o Dalai Lama disse que, se ele risse menos e fosse menos espontâneo, provavelmente, seria levado mais a sério.

Por tudo isso, e de acordo com os meus cálculos, devo, por livre conta e risco, terminar com uma citação da Filosofia Rá-Tim-Bum (isso mesmo, o programa), que também pode ser considerada uma outra Teoria da Evolução:

"Viva feliz, viva contente e transforme pedra em gente!"

Isso sim é coisa séria, importante, interessante.

 

Nota: Na imagem, escultura de Rodin.



Escrito por rosana biondillo às 05h47
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OLHANDO AS RODAS RODANDO

Certa vez, logo depois de uma aula, uma aluna me disse que estava se sentindo frustrada por não estar utilizando seu tempo livre para fazer coisas mais produtivas e gratificantes.

Perguntei o que ela gostaria de estar fazendo, que pudesse ser tão produtivo e gratificante. Aí, ela mencionou não a coisa em si, mas continuou dizendo que gostaria de fazer algo que fosse mais valorizado, que a motivasse a criar, a cooperar, e que fosse mais edificante. E finalizou com um sincero não sei.

Para uma certa surpresa dela e dos demais presentes, disse-lhe que, talvez, ela devesse considerar a possibilidade de, por enquanto, continuar exatamente assim: sem fazer nada que pudesse ser considerado tão especial.

Imediatamente, me lembrei de John Lennon e de seu desabafo na canção Watching the Wheels.

Ele foi severamente criticado quando resolveu simplesmente ficar básicos cinco anos cuidando de seu recém-nascido filho Sean e da casa, enquanto Yoko Ono tocava os negócios.

Posso ouví-lo dizendo:

"As pessoas dizem que sou louco por fazer o que estou fazendo. Elas me dão todo o tipo de conselhos para me salvar da ruína. E quando lhes digo que estou bem, elas me olham de um jeito estranho.

As pessoas me fazem perguntas, mas estão perdidas e confusas. E então digo a elas que não existem problemas, apenas soluções. Aí elas balançam a cabeça e me olham como se eu tivesse perdido o juízo. Digo a elas que não tem motivo para se ter pressa, que só estou aqui sentado passando o tempo.

Só estou aqui sentado olhando as rodas rodando. Eu simplesmente adoro vê-las rodando.”

Não sei se essa foi uma boa sugestão, mas, inúmeras vezes, sentimo-nos frustrados e culpados apenas pelo fato de podermos estar à vontade e sem pressa na vida, favorecidos material e contextualmente, como se isso não tivesse seu lado reconfortante e importante.

Lembrei-me também de Swami Sivananda, que dizia que quando temos tempo livre e não precisamos nos sacrificar constantemente pela manutenção de nossa existência material, estamos diante de uma dádiva e devemos aproveitar esses momentos para nos conhecermos melhor, para observarmos as pessoas e a natureza, para refletirmos e podermos agir com mais sabedoria, para observarmos o silêncio, para meditarmos, para nos descobrirmos sagrados.

Ou, quem sabe, apenas desfrutar do tempo e observar as rodas rodando, assim como o John.

E, se o seu tempo de não fazer nada permitir, sugiro que você, pacientemente, assista ao vídeo. Ou, apenas, deixe a música tocando, como trilha sonora para sua leitura (ou releitura). Pode ser que você sinta mais intensamente esta mensagem.

Namaste!

Rosana



Escrito por rosana biondillo às 15h37
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ENCANTAMENTO KÁRMICO

Como praticante e professora de Yoga, já revelei, em algumas aulas, bem como em trechos de alguns poucos textos, que não tenho opinião formada a respeito dessa temática do karma.

Misturar karma com reencarnação, com transmigração de almas, com vida após a morte, com religião etc. e tal, chega a me confundir e a me desgastar, com todo o respeito. Só que, ao mesmo tempo, acho tudo isso fascinante.

Eu adoraria poder voltar a re-viver, a re-encontrar as pessoas que tanto amo, tendo a chance de me re-dimir de meus erros e de evoluir como um espírito iluminado, rumo à perfeição. Mas, esses momentos se esvanecem e eu volto a ser apenas uma cética-ignorante, que não sabe absolutamente nada a esse respeito.

Antes, eu tentava me justificar, buscando explicações em Patañjali, em Buda, em Cristo... Hoje, já não me justifico mais. Apenas digo que não sei, não sei...

E, sinceramente, espero que as pessoas, que gentilmente se dispõem a me ouvir e/ou ler, não se sintam [muito] decepcionadas com essa declaração - especialmente vinda de alguém que ama tanto o Yoga. 

Às vezes, me vem a nítida sensação de que não tenho muitas opções para mudar minha própria vida e seus acontecimentos, como se o roteiro já estivesse escrito e pronto, uma coisa de destino; em outras, tenho toda a convicção de que posso modificar tudo, que posso fazer acontecer, que posso escrever minha história, toda essa coisa de livre-arbítrio.

Pensando bem, deveria ser um misto das duas coisas, numa matemática perfeita.

E, de novo, bem lá no fundo, eu não sei...

Me sinto a tal metamorfose ambulante, da canção do Raul Seixas, só que sem a certeza de que prefiro que assim seja.

Mas existe uma coisa espetacular em toda essa bagunça: o encantamento.

Apesar de todos os pesares e desprazeres, eu continuo extremamente encantada com a vida, com a possibilidade de estar aqui, agora, respirando, imaginando, criando, amando.

O que me trouxe até aqui e para onde isso tudo vai me levar?

Eu simplesmente não sei.



Escrito por rosana biondillo às 07h03
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NA PAZ DO SEU SORRISO

Rir ainda é o melhor remédio.

Eu, absolutamente, não estou aqui para contestar essa verdade. Não, não e não!!! Mesmo porque, eu concordo em gênero, número e grau sobre a importância de se ter bom humor, de poder rir de si mesmo e de poder levar alegria a outras pessoas.

Mas, me lembrei de uma passagem filosófica, da qual gosto bastante, e que ficou conhecida como a manifestação do Filósofo que Ri.

Lembram-se de Demócrito?

Pois exatamente ele é quem ficou conhecido como o tal do filósofo que ri.
 
Ele viveu em cerca de 460-370 a.C. e foi o responsável por uma das primeiras teorias sobre os átomos, conhecida como Teoria Atomística, que, por sua vez, filosoficamente deu origem a uma teoria ética.

A teoria ética de Demócrito era baseada em um sistema puramente determinista, eliminando, assim, qualquer liberdade de escolha individual.

De forma bem resumida, pode-se dizer que, para Demócrito, a liberdade de escolha era uma ilusão, já que não podemos alcançar todas as causas que levam a uma decisão. E, por isso, Demócrito ria: de desespero, do mais puro desespero.

Em síntese, Demócrito queria nos dizer que, uma vez que somos impotentes diante de nosso próprio destino, nos desesperamos, e que esse desespero, além de inúmeras tragédias, também é capaz de provocar muitas gargalhadas.

O ser humano, dentre todas as espécies, é o único capaz de sorrir. Contudo, seus risos e sorrisos nem sempre são de alegria, entusiasmo e satisfação. Existe, também , o fator desequilibrante do riso, que pode chegar a ser até mesmo definido como histérico, perturbador, grotesco, maléfico - coisas das quais Sigmund Freud falou bastante.

Este é um tema simplesmente fascinante, mas não pretendo deixá-lo cansativo e pesado.

Por isso, vou finalizando com uma passagem de Amor pra Recomeçar, do Roberto Frejat - um poeta-músico contemporâneo, que é mais conhecido apenas como o Frejat da banda Barão Vermelho.

Como artista, na minha opinião, ele sintetiza muito bem o sentimento de se poder exercer tanto a alegria quanto a tristeza que existem em todos e em cada um de nós.

Ele diz assim:

Quando você ficar triste, que seja por um dia e não o ano inteiro, e que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero.

E vou apenas deixando uma questão para nossa reflexão:

O que será que se esconde por detrás de um belo e enigmático sorriso?

Nota: O título vem de uma canção do Roberto Carlos.



Escrito por rosana biondillo às 07h42
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ONDE A ALMA SE ESCONDE

 

Existe uma lembrança da minha infância que, por muito tempo, me incomodou e amedrontou: o Dia das Almas.

Lembro-me de que minha avó paterna costumava acender velas no quintal da nossa casa para homenagear todas as almas do universo.

Eu nunca entendi direito por que ela fazia aquilo, mas ela, tenazmente, continuava. Muito, hoje eu sei, era pela tradição religiosa da nossa família. Só que, mesmo assim, era tudo muito enigmático para uma garotinha de apenas cinco anos.

Esse gesto de minha avó, essa tradição que ela fazia questão de manter e de me ensinar, transformou o Dia das Almas num aterrorizante e, ao mesmo tempo, atraente mistério para mim.

Aterrorizante, porque as almas eram de gente morta e ponto; atraente, porque me dava aquele friozinho na barriga, como se somente eu soubesse "daquilo", e já fosse "grande" o suficiente para participar de um ritual desses.

Bem lá no fundo, eu sabia que ela confiava em mim. Mas o incômodo, esse sempre permaneceu, embora me reconfortasse a idéia de que as almas não poderiam entrar na minha casa e me assustar, uma vez que eu não acendesse velas para elas lá dentro.

Alma, para mim, era sinônimo de morte. A gente morria e virava alma.

Gente ruim virava alma penada. Gente boa virava alma abençoada.

Com o passar dos anos, eu comecei a me interessar pelas características formativas da alma, por aquilo que torna uma alma, alma.

Existe um certo consenso, quando nos referimos ao conceito do que possa vir a ser a alma:

- Uma "coisa" assim um tanto leve e etérea, meio enevoada, de uma certa transparência, e translúcida.

- Almas flutuam ao invés de voarem, traspassando objetos e obstáculos.

- Almas sussuram ao invés de falarem, expressando enigmáticos olhares e sorrisos.

- Almas se desintegram e se escondem no vazio.

- Almas só se revelam por vontade própria e são difíceis de se encontrar.

E foi, então, que surgiu a grande pergunta:

Onde será que a alma se esconde?

Descobri, finalmente, que não era no quintal de casa.

Seria, então, dentro, fora, abaixo, acima, ao redor?

Em todos esses lugares simultaneamente?

Na primeira, na segunda, na terceira dimensão? Ou nas outras dimensões que ainda não podemos vislumbrar fisicamente, mas que cientificamente sabemos existir?

Será que, para conhecermos a alma, devemos nos lançar ao espaço ou mergulhar nas profundezas do oceano?

Subir ou descer? Ou descer e subir?

Nem preciso dizer que não cheguei muito longe...

As respostas sempre vieram pela metade. Até que um belo dia, sem querer querendo, como diz o Chaves, descobri o Yoga.

Não, não é verdade.

Na verdade, eu não descobri o Yoga:

O Yoga é que me descobriu!

Em uma dessas tardes quaisquer, eu apenas liguei a televisão e vi um senhor falando, mansinho, com uma senhora, que estava fazendo uns movimentos interessantes com o corpo: umas posturas, como ele explicou. Resolvi imitar, gostei e passei a fazer todos os dias, no meu quarto.

Três anos depois, passando por uma rua, vi uma placa escrito YOGA.

Simplesmente entrei, me matriculei e comecei "oficialmente" a praticar.

Nove anos mais tarde, quando minha avó morreu, e eu já havia decidido parar de fazer perguntas difíceis, me peguei no quintal da casa da minha mãe, acendendo uma vela especialmente para ela, do jeito que ela tinha me ensinado.

Foi nesse exato momento, que eu, espontaneamente, descobri, e pela primeira vez senti de verdade, que alma é sinônimo de vida. E que minha avó não tinha que ficar em outro lugar qualquer que não fosse apenas nas lembranças do meu coração.

Nesse dia, eu descobri o esconderijo da alma.

Nota: A imagem é obra de Salvador Dali.



Escrito por rosana biondillo às 07h19
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"MANTRA" DO NANDO REIS = ADEUS DOR!!!

Não preciso falar nada: está tudo aqui!

Adeus dor!!! Adeus dor!!! Adeus dor!!!

Nem que seja apenas por um instante...

Quando não tiver mais nada
Nem chão, nem escada
Escudo ou espada
O seu coração acordará

Quando estiver com tudo
Lã, cetim, veludo
Espada e escudo
Sua consciência adormecerá

E acordará no mesmo lugar
Do ar até o arterial
No mesmo lar, no mesmo quintal
Da alma ao corpo material

Quando não se tem mais nada
Não se perde nada
Escudo ou espada
Pode ser o que se for, livre do temor

Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá, para dar amor

Amor dará e receberá
Do ar, pulmão; da lágrima, sal
Amor dará e receberá
Da luz, visão do tempo espiral

Amor dará e receberá
Do braço, mão; da boca, vogal
Amor dará e receberá
Da morte o seu guia natal

Adeus dor
Adeus dor
Adeus dor
Adeus dor



Escrito por rosana biondillo às 14h21
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EU CONFIO.

No começo do ano, quando um amigo passou por uma cirurgia, lembro-me de que, na noite anterior, mandei um torpedo dizendo:

Boa sorte amanhã. Confio em você!

E era assim mesmo que eu me sentia: confiante nele. Quanto aos médicos, ao hospital etc e tal, eu já conhecia e eles eram bons. Mas o meu sentimento era de plena confiança no meu amigo, porque era ele que iría se sair bem, era ele que iría fazer daquela cirurgia um grande sucesso.

Em vários outros momentos e situações da minha vida, me senti exatamente assim: confiante.

Não era apenas a crença, o acreditar no sucesso da coisa, ou acreditar nas ações, nos movimentos realizados para alcançar um resultado a contento. Não era só isso. No fundo, eu simplesmente sabia.

Eu olhava, falava, escutava, respirava, suspirava e... sabia.

Não era preciso querer acreditar, como na famosa frase Eu quero acreditar, da série de tv Arquivo X.

Nada disso e nem parecido com isso!

Era tão somente o pleno sentimento da confiança.

Um sentimento que as mães sentem por seus filhos: mesmo que suas condutas não sejam exemplares, mesmo quando eles erram, e erram feio.

Mães têm a habilidade de praticar o amor-confiança sem pestanejar, sem duvidar, sem cobrar. 

Você pode estar cogitando o fato de que nem todas as mães são assim, e isso também é verdade. Mas, a boa nova talvez seja a de que os pais, que foram mais programados e preparados para prover e disciplinar sua prole, podem ser exatamente assim: praticantes desse pleno amor-confiança.

E tudo isso é muito fascinante, pois estamos, finalmente, conseguindo extrapolar os tolhedores limites dos papéis sociais e dos gêneros sexuais.

É como se os portais para uma atmosfera universalmente humana começassem a se abrir diante de nossos olhos, exalando um terno e reconfortante aroma que nos conduz ao aconchego de uma essência única.

O amor-confiança, que não é hesitante, que não é titubeante, que não é testante, que não é conflitante, é uma habilidade inata que todos temos, mas que nem todos reconhecemos. Por isso, ele não é apenas um sentimento, mas uma estupenda habilidade que, quando cuidadosamente exercida, é capaz de iniciar movimentos internos de profunda transformação.

Eu confio. 

Nota: A imagem é obra de Gustav Klimt. 



Escrito por rosana biondillo às 17h32
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RELACIONAMENTOS ESTÁVEIS EXISTEM MESMO?

Quando você diz ou dizem pra você:

Estou num relacionamento estável.

Já parou pra pensar o que significa isso?

Pois eu, já há algum tempo, tenho feito exatamente isso. Muito levada pela minha profissão, pelos meus estudos de filosofia e de literatura, e boa parte pelas minhas vivências e observações pessoais.

Mas, tem um detalhe pontual, que eu vivo lembrando a mim mesma, várias vezes, em várias ocasiões:

Estamos no século XXI.

Só que, dizer isso, parece não modificar significativamente o panorama desta temática específica. Especialmente, quando a olhamos pelo prisma do sentimento.

E veja bem: estou falando de sentimento mesmo, de laços amorosos e não apenas de amarras sexuais. Porque, talvez, você ainda não consiga compartimentalizar o sentimento amoroso e o sentido sexual. Obviamente, os dois até podem vir acompanhados num mesmo relacionamento, mas não são a mesma coisa:

Nem mesmo dentro desse mesmo relacionamento!

Há várias teorias, estudos psicanalíticos, filosóficos, antropológicos, biológicos, e científicos em geral, que vão abalizar uma ou outra tendência, dependendo do objetivo do estudo. E há, ainda, as várias religiões e a valorização de seus dogmas. 

Já deu pra perceber que controvérsia é o que não falta. Mas, eu pensei em deixar tudo isso de lado, não questionar nada do que está sendo estudado e publicado, e apenas me deter ao que eu, Rosana, sinto em relação ao que resumi no título desta postagem.

E eu sinto que não: relacionamentos estáveis não existem de fato. Pelo menos, não com as pretensas qualidades que lhes são atribuídas.

O estável é somente aquilo que está no momento, algumas vezes, mesmo sem sê-lo.  

Permanecer em relacionamentos, todos podemos fazer isso - mesmo que sozinhos, sem o consenso que inclui o outro.

Estabilizar plenamente nossos relacionamentos, penso que não, uma vez que o movimento e a ação são princípios vitais em nossa constituição.

Isso de estabilização, permanência e, até mesmo, estagnação, está, em maior ou menor grau, ligado ao apego que se faz passar por amor.

E explico:

Como o amor, em si, é dinâmico, altruísta e não-possessivo, não precisando sequer de um objeto palpável para poder existir, a saída menos enlouquecedora e mais escapista é lançar mão do apego:

Eu me apego àquele que é o objeto, mas não a causa primeira do amor, e me confundo, tentando entender com o cérebro aquilo que só o coração consegue.

Pode parecer brincadeira o que vou dizer, mas é sério de verdade:

Há pessoas que vivem relacionamentos mais saudáveis e duráveis sem a presença física do outro - o que é complexo de se entender baseado apenas nos modelos contemporâneos dos relacionamentos amorosos.  

Por isso mesmo, vou deixar uma sugestão que, mais uma vez, é apenas minha, não importando a cronologia, o gênero ou o grau do relacionamento vivido:

Quando temos que começar a justificar o por quê da existência ou da permanência num relacionamento, é chegado o momento de mudar:

Seja "o" relacionamento ou "de" relacionamento.

Mas, para fazer isso, é preciso uma certa dose de coragem para se desapegar de uma pretensa, conveniente e ilusória estabilidade.

Se relacionamentos estáveis não existem, posso assegurar que alguns relacionamentos podem ser perfeitamente duráveis.

Como? A que custo? Em quais circunstâncias? 

Bom, isso já é papo pra uma outra postagem.

Por ora, boas reflexões!



Escrito por rosana biondillo às 13h35
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YOGA EM DUPLAS EM ARTIGO DA FOLHA DE SÃO PAULO

Faz um tempinho, foi publicado um artigo no Jornal Folha de São Paulo sobre Yoga em Duplas, do qual participei.

O título é: Antes solitária, ioga praticada em duplas é fenômeno ocidental

Este artigo já está disponível no site da Folha On Line, neste link:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u315293.shtml

Abaixo, alguns trechos:

- Originalmente uma prática solitária, a ioga realizada em duplas é um fenômeno recente e oriundo do mundo ocidental. "Na Índia, as pessoas não permitem o toque com tanta facilidade como nós. Apesar de alguns mestres mais modernos fazerem ajustes tocando o aluno, o trabalho em duplas é uma ferramenta mais ocidental, que vem se popularizando recentemente", afirma a professora de ioga Rosana Biondillo, do Shantih Yoga Studio, em São Paulo.

- Rosana Biondillo diz que, algumas vezes, costuma alternar os exercícios conjuntos com os individuais e que os alunos sentem mais facilidade no primeiro caso. "Um sempre ajuda o outro. Eles gostam desse contato e relatam que sentem um ganho na postura, uma maior extensão." Segundo ela, o ideal é formar pares com pessoas de peso e altura semelhantes, para evitar, por exemplo, a sobrecarga na coluna de um aluno devido ao sobrepeso de alguém.

- Mas a professora afirma que não é só o benefício na parte física que deve ser valorizado. "O desenvolvimento técnico só é relevante se acompanhado do desenvolvimento ético, humano e espiritual. Os exercícios em dupla cultivam valores como cooperação, compaixão e respeito ao outro", diz, acrescentando que muitas vezes a prática em conjunto ajuda a tornar a turma de ioga mais unida.



Escrito por rosana biondillo às 09h37
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RESISTIR OU NÃO-RESISTIR? EIS A QUESTÃO!

O Yoga também é uma disciplina conceitual e contextual. Basicamente, tudo na vida é meio assim: nós conceituamos e contextualizamos as nossas ações e reações, a ponto de acharmos motivação e razão onde elas, aparentemente, não existem!  Portanto, dizer que há alguns conceitos muito mal-compreendidos é quase como chover no molhado.

Mas, e quando nos vemos diante de situações que causam sofrimento e geram injustiça?  

Quando devemos reagir, resistir a determinadas ações e nos impor?

Quando devemos aceitar, relevar e definitivamente não-resistir?

Para lançar subsídios para uma reflexão construtiva, mas nem por isso menos polêmica, recorri a ninguém menos que Swami Vivekananda - que foi discípulo direto do grande sábio e místico Sri Ramakrishna e um dos expoentes no estudo e divulgação do Karma Yoga.

Swami Vivekananda diz que todas as ações possuem dois extremos: o positivo e o negativo.

Diz também que a verdadeira renúncia só pode ser tida como legítima quando se tem ao que renunciar, e menciona a trajetória de Buda como exemplo.

Ele diz que Buda abandonou seu trono e renunciou à sua posição social, o que foi uma verdadeira renúncia, mas que não pode haver renúncia para aquele que nada tenha a que renunciar.

Em suas palavras:

"Karma yogi é o homem que compreende que o mais elevado ideal é a não-resistência, e além disso que esta não-resistência é a mais alta manifestação de poder, quando realmente se possui; e também que a resistência ao mal é um passo no caminho para alcançar o poder da não-resistência. Enquanto não se tiver alcançado este ideal, o dever do homem é resistir ao mal; deve trabalhar, deve lutar e resistir com toda a força de que seja capaz. Só então, quando tiver obtido o poder de resistir, será uma virtude a não-resistência."

Só para refrescar e enlevar as nossas mentes, tivemos, no século 20, três grandes momentos de não-resistência (pacíficos em sua origem), perpetrados por três seres humanos de grandes dimensões: Mahatma Gandhi, Madre Teresa e Martin Luther King.

Pois é, esse é um assunto imenso pra se pensar muito e pra se realizar muito mais ainda.

Boas reflexões!



Escrito por rosana biondillo às 07h01
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O EQUILÍBRIO FOI FEITO PRA GENTE PERDER E ACHAR

Outro dia, durante uma aula, enquanto os alunos realizavam uma seqüência de posturas de equilíbrio, eu espontaneamente disse, ao auxiliar um aluno a encontrar "seu eixo", que o equilíbrio foi feito pra gente poder perder e, depois de certo tempo, achar. E complementei dizendo que essa é a natureza de tudo o que existe no Universo - algo parecido com um antigo ditado que eu ouvia muito de meus pais e avós quando criança:

Depois da tempestade vem a bonança!

É bem verdade que existem gradações e contextos tanto para o equilíbrio quanto para o desequilíbrio. O nosso dia-a-dia está repleto de situações que se alternam entre momentos de equilíbrio e desequilíbrio, ajudando, assim, a criar movimentos ondulatórios e sinuosos, que permeiam nossos comportamentos e nossas ações, que podem ser, por vezes, bastante surpreendentes e inusitadas. 

No Yoga, os nossos desequilíbrios podem ser classificados como espectros que transitam entre as categorias denominadas rajas e tamas.

Na categoria rajásica, encontram-se todos os nossos hiper-estados nos domínios físico, emocional e mental; na categoria tamásica estão os nossos hipo-estados nesses mesmos domínios.

Assim sendo, para exemplificar, quando alguém está ansioso, irriquieto e com taquicardia, podemos considerá-lo, enquanto durar esse período específico, como inserido no espectro de rajas. Ao contrário, quando alguém está depressivo, apático e com prisão de ventre, estará inserido no espectro de tamas. O ponto de equilíbrio chama-se sattva , que pode ser entendido como sabedoria em ação.

O ser sáttvico, necessariamente, não é aquele que nunca perde o equilíbrio, mas aquele que sabe perceber e reconhecer o desequilíbrio em sua essência, em sua origem, e optar por seguir em frente "desquilibrando-se", se esse for o melhor caminho, ou "reequilibrando-se" prontamente, para que o desequilíbrio não chegue a se instalar totalmente, tornando-se apenas uma espécie de "faísca".

Em sattva, é possível optar por resistir a uma situação ou acontecimento ou não-resistir. Já em rajas e tamas, praticamente não existem essas opções, pois rajas é a própria resistência e tamas, a pseudo-não-resistência.

Na filosofia do Yoga, os desequilíbrios têm um papel fundamental na jornada rumo à auto-realização. Os textos tradicionais dizem que os desequilíbrios de tamas devem ser primeiramente transformados em desequilíbrios de rajas . Isso porque nossas características tamásicas representam uma falsa e ilusória não-resistência, e não pode haver auto-realização enquanto não aprendermos a resistir, expressando nossas características rajásicas.

Tamas não pode alcançar diretamente sattva, devendo, portanto, primeiro transforma-se em rajas, como num esquema:

TAMAS >>> RAJAS >>> SATTVA >>> SAMADHI

Então, dá para ver que o desequilíbrio também é fundamental e definitivamente faz parte dessa nossa existência. Só espero sinceramente que os argumentos aqui apresentados não sejam usados para justificar episódios desumanos e grotescos, nem para abalizar ninguém a usar a idéia de resistência como um cruel e serial clichê.

O Yoga visa a dissipação da ignorância, a evolução consciente da humanidade e promove os subsídios na busca de uma existência equilibrada e pacífica. Por isso, entender que o equilíbrio foi feito pra gente perder, aprender, mudar e achar, é um gigantesco passo para a realização desse ideal



Escrito por rosana biondillo às 12h47
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UMA "NOVA" ÉTICA PARA OS RELACIONAMENTOS AMOROSOS

Por ter, como todos vocês que me lêem agora,  passado por algumas amargas experiências no setor dos relacionamentos amorosos, comecei a prestar mais atenção à minha volta, procurando entender pelo menos um pouco do que andou me acontecendo.

Não sei se entendi, mas minhas observações estão se transformando numa pesquisa informal: observo as atitudes de pessoas que eu conheço, que são somadas aos comentários que ouço e aos desabafos que escuto. E, pasmem, depois de um tempo fazendo isso, passei alguns meses me sentindo quase um lixo de mulher.

Querem saber por quê?

Porque eu "descobri" uma coisa que já anda acontecendo há séculos, mas que nunca antes me chamou tanto a atenção:

As pessoas fazem sexo primeiro pra descobrir se se gostam como pessoas depois!

Primeiro se transa, depois vê se se admira.

Primeiro se transa, depois vê se se respeita.

Primeiro se transa, depois vê se se importa.

Esse comportamento antes era tido como masculino, porque os homens, mais do que as mulheres, costumavam agir assim. Homens traíam mais e selecionavam menos suas parceiras. Sem querer ser machista ou preconceituosa, essa era a idéia geral. Hoje, não mais.

Hoje, de acordo com algumas estatísticas mais recentes e pelos meus estudos informais, as mulheres traem quase na mesma proporção e já selecionam bem menos seus parceiros. A ponto de eu ter chegado a ouvir, de uma garota de apenas 18 anos, a seguinte constatação:

- É bom eu ficar com esse mesmo (leia-se: namorado), porque tá difícil de encontrar homem.

Embora chulas, essas foram as exatas palavras que escutei. E, considerando-se que estamos no século 21, é tudo muito triste, não é?

Assim como já me foi triste ter que ouvir que eu sou muito sensível e que me importo muito em fazer a coisa certa. A sugestão que eu mais ouvi e ouço até hoje é:

Deixa rolar pra ver no que vai dar!

Confesso que passei uns tempos bem desanimada, até desapontada comigo mesma, simplesmente por não conseguir ser assim. Até que comecei a realizar que, apesar de tudo isso, essas mesmas pessoas, homens e mulheres, não estavam assim tão felizes. Pelo menos, nem um terço do que esperavam ser.

Descobri, também, que eles não conseguem ser tão espontâneos quanto gostariam, e que passam boa parte do tempo em elucubrações estratégicas para fazer o relacionamento racionalmente "valer a pena".

Mas foi aí também que eu percebi uma coisa fantástica, que mudou meu olhar e me trouxe uma certeza reconfortante: é essencial poder ser diferente, embora não seja nada fácil.

Acabei, a duras penas, descobrindo que eu adoro poder ser mulher e ser feminina, que eu não gosto de medir forças quando me interesso sinceramente por um homem, e que eu admiro demais as pessoas que conseguem ficar sozinhas sem ser solitárias, que não sucumbem a qualquer apelo pra ter alguém do lado.

Descobri que repugno essa safra de mulheres-profissionais e de homens-sazonais.

Descobri que a maioria é, quase sempre, burra (não estou falando de QI, mas de consciência) e que existem coisas que não se faz, mesmo que muuuuuuuuuita gente esteja fazendo.

Descobri que a maior ética para qualquer relacionamento, especialmente aqui o homem-mulher, é tão antiga e tão suprema:

Não faça ao outro aquilo que você não gostaria que fizessem a você.

Não traia, a não ser que você ache o máximo ser traído/a; não brinque com os sentimentos de niguém, a não ser que você receba de bom grado esse mesmo tipo de tratamento; não mantenha uma relação apenas por não ter ninguém melhor no momento ou por conveniência, ou apenas porque você não suporta nem a idéia de ficar sozinho/a.

O tempo é precioso demais pra não levar a lugar nenhum. Em resumo: não enrole!!!

Posso continuar escrevendo por horas a fio, mas acho que já deu pra entender.

Evoluir como seres humanos é tarefa árdua para homens e mulheres, sem distinção, pois em essência, somos todos um. Como dizia o filósofo Sto Agostinho: na essência a unidade, na aparência a liberdade. E como também dizía Krishnamurti: a liberdade não é uma reação - é um sentimento.

Em pleno século 21, quando o assunto são os relacionamentos amorosos, a grande liberdade é saber se comprometer consigo mesmo: sem egocentrismos, sem possessividades, sem dependências, oferecendo apenas o seu melhor e fazendo despertar no outro o que ele tem de melhor.



Escrito por rosana biondillo às 09h54
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UM CARA POSITIVO QUE GOSTA DE GENTE POSITIVA!

 

Recebi, esta semana, uma mensagem de um jovem norte-americano que disse que ía me seguir no Twitter porque eu era uma pessoa positiva. E que ele, como um "positive guy", gostava de "positive people".

Um cara positivo que gosta de gente positiva!

Achei o máximo da simplicidade e da lucidez. Porque, pense bem:

Por que eu seguiria alguém no Twitter que eu sequer conheço?

Simplesmente porque esse alguém tem algo interessante a me dizer. Tem algo que, sem querer querendo, mexe comigo: positivamente! 

Ninguém vai atrás de ninguém pra ser colocado pra baixo, pra ser espezinhado e maltratado. Ninguém procura ninguém pra ser torturado com palavras que incorporam sentimentos puramente negativos. Supondo, aqui, que estamos falando de pessoas saudáveis ou que buscam sê-lo.

Mas, vejam também que ninguém procura ninguém que é um falso-positivo: o protótipo do cara positivo de frases clichês, meramente decorativas.

Gente positiva de verdade fica triste, chora, perde a paciência, xinga, se indigna com certos acontecimentos sem pé nem cabeça (como essa propagação de "não sei" que continua reinando no Governo Lula desde sempre. Positivamente, descobri que vivemos em "I Don't Know Land").

Gente positiva é gente viva!

Gente positiva é gente que mesmo quando tem momentos negativos (e todos temos um monte), faz deles degraus para o aprendizado e a superação. 

Já ouviu essa frase pronta em algum lugar, não é?

Então, talvez tenha chegado a hora de tentar colocá-la em prática e parar de apenas censurar os que estão tentando, mesmo que não tenham conseguido ainda.

Como praticante e professora de Yoga, descobri que gosto do que faço porque estou sempre procurando melhorar e compartilhar "isso" com as pessoas que estão comigo.

Descobri, linguisticamente falando, que eu pratico e ensino um Yoga Positivo.

E antes que venha algum pretenso purista tentar confundir o que estou dizendo, já vou logo avisando:

Eu sou uma pessoa positiva, que gosta de gente positiva!

Portanto, pode ter certeza que eu vou ouvir pra tentar aprender.

É que gente positiva costuma ouvir, costuma refletir, costuma se arriscar, algumas vezes, costuma falhar, mas, sobretudo, tem paixão em aprender.

Ah, ainda em tempo:

Quero agradecer a todos os leitores e divulgadores deste blog, que esta semana recebeu o selo Blogs Legais da UOL!

Muito positivo isso, hum?

Boas práticas!

Boa Vida!



Escrito por rosana biondillo às 08h38
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LEMBRANDO PALAVRAS DE LUTHER KING

Todos os praticantes de Yoga costumam saber sobre Mahatma Gandhi e sua história de vida na propagação e aplicação de ahimsa, ou não-violência. Mas alguns ainda não relacionam essa temática a Martin Luther King Jr.

Admirador de Gandhi, King recebeu o Nobel da Paz em 1964, por seu trabalho de tentar pôr fim à segregação e discriminação raciais nos Estados Unidos, através da desobediência civil e de outros meios pacíficos. Mas, assim como Gandhi, King foi assassinado.

Seus discursos emocionados estão entre as mais valiosas palavras a vibrar no Universo. E continuam inspirando corações e mentes no caminho de ahimsa.

Eis aqui duas passagens, que eu procuro sempre ter como fonte de motivação e inspiração para minha prática:

                                 I

A covardia coloca a questão: É seguro?
O comodismo coloca a questão: É popular?
A etiqueta coloca a questão: É elegante?
Mas a consciência coloca a questão: É correto?
E chega um ponto em que temos de tomar uma atitude que não é segura, não é elegante, não é popular, mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta.

                                   II

É melhor tentar e falhar que ocupar-se em ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão, que nada fazer.
Eu prefiro caminhar na chuva a, em dias tristes, me esconder em casa.
Prefiro ser feliz, embora louco, a viver em conformidade.
Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização.
Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo se partiria em pedaços, eu ainda plantaria a minha macieira.
O ódio paralisa a vida; o amor a desata.
O ódio confunde a vida; o amor a harmoniza.
O ódio escurece a vida; o amor a ilumina.

Boas práticas & Paz.

Muita Paz!

Rosana



Escrito por rosana biondillo às 08h22
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O FIRME RELAXAMENTO DA POSTURA DA ÁRVORE

Em sua execução, os asanas, posturas do Yoga, envolvem força, flexibilidade, equilíbrio e permanência. Cada asana explora, em sua composição, cada um desses quatro elementos em maior ou menor grau. E quando falamos em permanência, isso significa ficar em uma postura por um determinado tempo e ir, gradativamente e dentro de limites seguros, aumentando esse tempo de permanência.

Só quem pratica sabe que isso não é fácil. É mais fácil repetir posturas, ou séries de posturas, do que permanecer em uma única por um determinado período. E, dentre as várias posturas do repertório yóguico, as de equilíbrio podem ser especialmente desafiadoras.

Constantemente, as posturas de equilíbrio são realizadas sob forte tensão e retração musculares, simplesmente pelo receio (justificado, diga-se de passagem) do praticante de perder o equilíbrio e cair. Só que teria que ser exatamente o contrário: a expansão e firmeza concentradas da musculatura (em determinadas partes do corpo) é que deveriam estar operando durante a realização do asana .

Especificamente na conhecida Postura da Árvore, oVrksasana, as pernas estão firmes enquanto que o tronco e a cabeça estão relaxados. E as expressões do rosto devem estar ainda mais relaxadas e serenas. E se você pensar numa árvore natural, verá que a rigidez não pode fazer parte de sua natureza: as raízes e o tronco são positivamente firmes, mas os galhos e as folhas são flexíveis e se curvam ao sabor do vento.

Ao praticarmos a Postura da Árvore concentradamente, pouco a pouco começaremos a perceber que a rigidez e a sugestionabilidade são infrutíferas e muito desgastantes, seja durante a permanência num asana, seja durante um episódio da vida real.



Escrito por rosana biondillo às 11h00
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ESPELHO, ESPELHO MEU: EXISTE ALGUÉM MAIS ... DO QUE EU?

É claro que sim! Seja lá o que for que você pense e diga para completar os três pontinhos dessa famosa pergunta.

É a pergunta clássica nos clássicos casos de baixa auto-estima. Mas essa é, também, uma pergunta fundamental para compreendermos essa delicada e essencial questão.

Ela nos revela a importância da imagem, mais especificamente da auto-imagem, formada a partir do ponto de vista de um outro: mesmo que esse outro seja um espelho, mesmo que esse espelho seja uma representação, mesmo que saibamos que espelhos não falam e veja bem: mesmo quando esse espelho é apenas você!

A auto-estima, de uma forma ou de outra, está sempre intimamente ligada à auto-imagem, ou à maneira como você enxerga a si mesmo. Mas, deveria estar ligada aos processos de percepção, de sensibilização, de autoconhecimento e de auto-aperfeiçoamento do ser. Por isso, é importante reconhecer que:

 Fazer uma imagem de si mesmo não é a mesma coisa que perceber, sentir e conhecer a si mesmo.

Dentro da filosofia do Yoga, todas as imagens servem infalivelmente para uma constatação:

Somos pessoas frágeis e nos decepcionamos profundamente quando não podemos parecer bem aos olhos dos outros.

Fabricar uma imagem que você gostaria que os outros tivessem de você, ou que você gostaria de ter de si mesmo, é no mínimo duplamente desgastante e decepcionante, pois além do trabalho de construí-la, você terá que ter o trabalho de destruí-la - isso se alguém não fizer isso antes!

De acordo com os dizeres dos autênticos mestres de Yoga, o corpo, que é a porta de entrada do mundo sensorial do qual as imagens são a constante máxima, merece e deve ser tratado com respeito e dedicação para manter-se sempre saudável e produtivo.

Iyengar costuma dizer que o corpo é seu templo, que as posturas são suas preces e que praticar é o seu mantra.

Ao vivenciar o Yoga de uma forma mais subjetiva e simples, onde o corpo passa a ser seu templo, as posturas, suas preces, e a prática, seu mantra, você logo irá começar a perceber e a sentir que sua força e luz interiores são muito mais poderosas do que qualquer opinião ou imagem que possam ter de você. Mesmo que sejam as suas próprias!

Procure lembrar-se de que se aceitar e ser solidário consigo mesmo, apesar de reconhecer todos os seus condicionamentos e limitações, é o primeiro passo para a tão almejada mudança (seja ela qual for), para aceitar os outros como são e não como gostaríamos que fossem, para o cultivo do respeito ao próximo, para a aceitação da diversidade no mundo e para a construção de uma cultura de paz.

Ah, e pode continuar se olhando no espelho à vontade! Quem sabe, ele também não seja mágico?

Pois é...



Escrito por rosana biondillo às 07h28
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O DALAI E A GRIPE A

Dalai Lama brinca com spray nasal ao ser questionado sobre gripe A

Falei dele ontem, conversando com alunos exatamente sobre a gripe A! Falei sobre o livro Emoções que Curam.

Nossa aula foi especialmente bem-humorada, como se fosse um antídoto para o mau presságio que páira sobre todos nós desde a constatação dessa pandemia.

Coincidência ou não, hoje, Sua Santidade me apronta uma dessas rsrsrs... Ele é simplesmente ótimo!

Eis a notícia do G1 na íntegra:

O líder espiritual tibetano Dalai Lama brinca com seu spray nasal ao ser questionado por jornalistas sobre a gripe A (H1N1), durante entrevista coletiva em Lausanne, Suíça. O líder espiritual, que está em visita de cinco dias ao país, disse que não tinha idéia e sugeriu que os jornalistas perguntassem sobre a epidemia aos médicos (Foto: Frabrice Coffrini / AFP)



Escrito por rosana biondillo às 16h43
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REINÍCIO DAS AULAS NO JARDIM AMÉRICA EM 05/08/2009

 

Esse é o nosso espaço de aulas no Jardim América, em parceria com a Casa Totalidade e a Totalidade Editora, aqui em São Paulo.

A Rua Engenheiro Alcides Barbosa fica entre as Avenidas Brasil, Rebouças e Henrique Schaumann. Mais para frente, tem a Estados Unidos também. Mas é um pequenino oásis de vegetação e de silêncio.

A nossa sala de prática se abre para esse jardim. E a sensação é de paz. Porque, como diz a inscrição:

Aqui se pratica a Paz!

Você já pode se inscrever para praticar, pois o reinício das aulas é agora:
em 05 de Agosto de 2009.

Para mais informações, escreva para yoga@globo.com , definindo o assunto como Yoga Jd América, ou acesse http://rosanabiondillo.blogspot.com .

Om Shantih Om!

Rosana

Nota: Quando o tempo permitir, há também o espaço para aulas ao ar-livre.



Escrito por rosana biondillo às 13h50
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SAI O GUERREIRO, ENTRA O CONQUISTADOR!

O Virabhadrasana é uma das posturas mais conhecidas e apreciadas pelos praticantes de yoga dos mais variados estilos. E tem uma história associada a ele,  a de Virabhadra: um super-ser, contemporâneo de Shiva e, supostamente, pai de uma de suas consortes, Sati. Inconformado pela auto-imolação de Sati, Virabhadra se transforma num guerreiro da vingança. 

Essa postura, por essa razão, é traduzida como a Postura do Guerreiro - fato este que, devo confessar, sempre me incomodou. A ponto de eu quase nunca falar sobre isso. É que, na minha cabeça e no meu coração, Yoga e Guerra não combinam.

Toda vez que alguém me diz, por exemplo, que Yoga e Tai Chi Chuan são práticas pacíficas, voltadas somente para o bem-estar e a harmonia do ser, eu sempre procuro lembrar a original concepção de cada um. O Tai Chi é uma Arte Marcial, o Yoga, não. Artes Marciais são artes da guerra e, consequentemente, da morte. E isso, embora possa não parecer, faz toda a diferença. Muito embora, não especifique a supremacia de um sobre o outro - o que seria uma tolice tentar fazer.

Mas, movida por esse meu inconformismo em relação a essa tradução, recorri a uma licença, digamos, poética: troquei a palavra guerreiro por conquistador. E essa simples mudança de nome fez com que tudo mudasse na minha maneira de praticar, de ensinar e de transmitir as possibilidades de vivência dessa postura.

Hoje, eu gosto muito mais dela e do que ela faz despertar em mim e nos que praticam comigo.

Quanto a esse negócio de guerra... Bom, não gosto nem de ter que falar nem de ter que escrever a respeito.

Que saia o guerreiro e que entre o conquistador!



Escrito por rosana biondillo às 14h16
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O FASCINANTE E INEXPLICÁVEL SENSÍVEL-INVISÍVEL

Você já ficou contente sem um motivo especial, sem uma explicação racional, sem se lembrar de ter feito nada de diferente para isso?

Em momentos conturbados de sua vida, quando tudo parecia estar dando errado, inexplicavelmente você se sentiu de bem consigo mesmo e com uma certeza inabalável de que tudo se acertaria da melhor maneira possível?

Experimentou uma alegria interior gostosa, que veio não se sabe de onde, e que lhe deu forças para continuar, para persisitir e insistir em achar as melhores soluções, sem se cansar ou se abater?

Já vivenciou um estado de intuição positivamente confiante, quando todo mundo insistia em dizer que pior do que estava não dava para ficar, que você já estava emocionalmente perturbado, mentalmente desvairado, vivendo fora da realidade, e você sabia, com uma convicção que nunca vai realmente conseguir explicar, que tudo ía dar certo, muito certo, e que essa sua certeza era só uma questão de tempo para se materializar no aqui e agora?

Pois esse alegre mundo invisível, de fascinantes certezas que não se explicam, não é menos real do que o mundo das explicações lógicas e das conjecturas mentais racionais. É apenas mais sensível e menos reproduzível, só isso! Ou seria tudo isso?

Pensando bem, que diferença faz? Eu não vou conseguir explicar mesmo!!!

Mas, uma coisa eu sei: minha prática de Yoga faz com que eu me sinta assim, desse jeitinho: fascinantemente inexplicável. Ou seria inexplicavelmente fascinante?

Vichi!!! Basta!!! Namaste!!!



Escrito por rosana biondillo às 10h35
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GENTE NOVINHA & GENTE ANTIGUINHA


É muito comum a gente achar que o oposto de ser jovem é ser velho, e que o oposto de algo novo é algo antigo. Simplistamente colocando, é assim mesmo que as coisas acabam funcionando na vida real.

Exemplificando: um homem de 20 anos é jovem, mas um de 70, é velho; uma casa recém-construída é nova, uma construída em 1910 é antiga. Matemática simples e descomplicada, que lida meramente com o tempo sob o aspecto cronológico.

Mas existe o aspecto psicológico do tempo, que não é tão óbvio e fácil assim de se calcular. E é exatamente ele que delimita a fronteira que transforma, por exemplo, a velhice em uma continuação sábia e saudável da juventude, ou que tranforma seres humanos em gente novinha e gente antiguinha.

Existem dois conceitos que, ao meu ver, estão sempre aliados ao se ser novo ou antigo: a imaturidade e o preconceito.

A imaturidade gera uma insaciável sede por novidades, enquanto que o preconceito nos transforma em seres abertamente antiquados e ultrapassados (na melhor das hipóteses!).

O imaturo não sabe lidar com as frustrações. Já o preconceituoso sequer admite a existência das frustrações!

O ponto-chave desses conflitos fica mais claro quando o correntemente considerado como "certo" é ser sempre fisicamente novo, mesmo que psicologicamente antiquado.

Já o ser jovem ou ser velho não são opostos, mas fluxos contínuos de aprendizagem e sabedoria. O jovem que está sempre aprendendo torna-se um "jovem sábio", ou um "velho", como costumamos dizer.

Só consegue ser velho aquele que detém a sabedoria da experiência das vivências da alma. Todos conhecemos pessoas jovens fantásticas aos 70, 80, 90 anos! Ao passo que todos também conhecemos gente antiquada aos 20, 30, 40, 50...

Agora, o grande barato de tudo isso é que a gente pode escolher entre ser eternamente jovem ou ser temporariamente novo. Só que, pra isso, é preciso aprender a ler, além do tempo do corpo, o invisível e sensível tempo da alma.

Papo antiquado? Olha lá...



Escrito por rosana biondillo às 09h32
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Somente a certeza dos limites do corpo

 Zé Rodrix partiu. Quando soube, me lembrei também de Elis Regina. E me lembrei, sobretudo, da música "Casa no Campo".

Tem certas coisas que são puro Yoga: sem nenhum esforço, sem nenhuma intenção, sem nenhuma pretensão.

Pra mim, este é um desses momentos raros.

Aqui, você encontra a letra perfeita do Zé e o vídeo perfeito com a perfeita voz da Elis.

Om Shantih Om!

 

O

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar do tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando
Solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas

Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão,
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau a pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais



Escrito por rosana biondillo às 10h32
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Felicidade sintomática

Segundo os antigos yogis, a felicidade mora nas profundezas de uma caverna, que eles chamam simplesmente de Coração ou Anahata.

Talvez essa colocação explique por que tanta gente diz que a felicidade não pode ser geograficamente encontrada: pois é um estado interno! E esse Coração, com maiúscula, não é o mesmo coração físico, com minúscula, o orgão.

Daí, a gente acaba concluindo que, além de interior, a felicidade também é invisível. Pelo menos, para olhos comuns, fisiologicamente comuns, assim como os meus.

Talvez, não seja de todo errado dizer que a felicidade é um fluxo interior invisível, mas que se pode sentir, assim como as águas fluindo de um rio.

Agora, pense: mas como é que a gente sai tão fácil desse fluxo, uma vez que ele parece ser uma coisa natural, uma natureza que nós temos plantada em nós desde sempre?

Talvez, também não seja errado dizer que, para que possamos modificar algumas condições limitantes e desgastantes de nossas vidas, devemos retomar esse fluxo, voltar a fluir...

Quando nos desvíamos desse fluxo chamado felicidade, conhecemos coisas como o sofrimento, o arrependimento, a dor.

Mas aí vem de novo a dúvida: como é que a gente sai tão fácil desse fluxo? Como é que a gente de repente se perde e pára de fluir?

É, porque esse fluir me parece ser tão natural, como uma natureza plantada dentro de nós desde sempre!

(É, eu repeti mesmo, de propósito!)

Não admira que alguns digam que o Paraíso é como um imenso jardim: tão natural, tão bucólico, tão romântico... Mas, com um rio fluindo no meio, é claro! E com um barco, que é pra gente usar caso não saiba nadar, caso não se lembre de como fluir!

Nesse momento Alice in Wonderland, eu deveria ter dito o seguinte:

Talvez, a gente se perca tanto desse fluxo chamado felicidade por não sabermos sentir os nossos mais profundos desejos, por não sabermos o que realmente mais queremos.

Você sabe o que realmente mais quer na vida? Ou você fica confuso e com medo, simplesmente "querendo sem querer" de verdade?

Esses vacilos conflitantes tiram a gente do rumo certo, desviam os nossos verdadeiros sentimentos e instalam um sistema de insegurança.

Nos transformamos em terroristas de nós mesmos e sabotamos a nossa própria felicidade.

É claro que os outros contribuem, e muito, mas não tanto a ponto de destruir esse manancial interior por onde flui a mais pura felicidade.

Por isso, quando você estiver em dúvida quanto ao que realmente mais quer, quando não estiver conseguindo sentir qual a melhor direção a seguir, quando seus objetivos parecerem estar se distanciando cada vez mais de você, quando até sua prática de Yoga parecer não fazer mais sentido (e isso já aconteceu inúmeras vezes comigo), espero que possa lembrar-se de que existe uma caverna aí dentro, esperando para revelar a luz e fazê-la brilhar tão intensamente que não lhe restará outra saída a não ser sorrir. Sorrir muito, da mais pura felicidade.

Talvez, também não seja errado afirmar que o sorriso espontâneo é um sintoma visível dessa invisível, mas nem por isso menos real, felicidade.



Escrito por rosana biondillo às 15h06
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Depois da Vida

Wandafuru Raifu é o título de um lindo filme japonês realizado pelo diretor Kirokazu Kore-eda, lançado em 1998, que em português se chama Depois da Vida.

Basicamente, fala sobre a vida após a morte, retratando um local numa espécie de dimensão intermediária entre-planos, sendo um deles o da Terra. Nesse local, pessoas que acabaram de morrer são apresentadas ao que poderíamos chamar de funcionários-conselheiros. Durante três dias, esses conselheiros auxiliam essas pessoas a examinar suas memórias em busca de um momento inesquecível de suas vidas. O momento escolhido será, então, recriado num filme que, por sua vez, será a única lembrança que poderão levar para o próximo plano (seja ele qual for!).

A tônica do filme não são as explicações, mas as recordações, ou, em outras palavras, o significado profundo que permeia nossa memória afetiva, nossas lembranças.

Pense bem agora e responda:

Se hoje, neste exato momento, você tivesse que escolher uma única lembrança para transformar num filme, qual seria? Quem faria parte dela? Que sentimento maior iría envolver essa lembrança?

Uma idéia perfeita e poeticamente bela, mas nada fácil de ser realizada.

Num dos vários momentos tocantes desse filme, existe um muito especial: o de se reconhecer como sendo a mais importante lembrança de uma outra pessoa...

Pois é, sem saber, podemos fazer parte da recordação mais valiosa da vida de alguém, podemos ser essa inesquecível lembrança.

A tradução mais próxima do título em japonês seria A Vida é Maravilhosa. E, apesar do tema da morte não nos remeter de imediato à idéia da felicidade como sendo uma vivência simples, singela e possível, aos poucos vamos percebendo que a vida é, sim, maravilhosa! Especialmente, quando vivida com o melhor e maior dos nossos sentimentos: o Amor.

Vale a pena assistir Wandafuru Raifu. Ou, quem sabe, assistir de novo, com um novo olhar...



Escrito por rosana biondillo às 14h33
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Reflexões práticas sobre o casamento

Outro dia, durante uma aula, falávamos sobre o tantrismo e alguns conceitos associados, entre eles os princípios energético-mitológicos de shiva & shakti. Nem preciso mencionar que acabamos falando sobre relacionamentos amorosos, claro! Além de muito proveitoso para os alunos, me foi particularmente inspirador, pois me permitiu refletir sobre o tema, mais especificamente em relação às uniões, ou ao bom e velho conhecido nosso: o casamento.

Acabei, de forma bem prática, elaborando o seguinte texto:

Algumas regras básicas

(1) Sinceramente, acho que ninguém, nenhum ser humano, seja do sexo masculino e/ou feminino, deveria se casar antes dos trinta anos. Deveria haver uma lei planetária, limitando o mínimo de idade cronológica que alguém deveria ter antes de poder se casar (seja com ou sem papel passado, seja no Brasil ou na Conchinchina).

(2) Quanto a constituir família, então, isso se daria somente após três anos de casamento regular, estável, saudável. Pelos cálculos, isso seria por volta dos trinta e três - uma idade, no mínimo, famosa.

(3) Andei pensando, também, que o casal deveria ter que comprovar que não precisam um do outro para continuar fisiologicamente vivendo, que o ser amado não é um tipo de balão de oxigênio, que supre o ar que falta à existência daquele que ama.

(4) Por extensão natural, deveriam, ainda, comprovar que não se necessitam financeiramente, isto é, que podem sustentar-se dentro de seus próprios padrões econômicos e estilos de vida.

(5) Isso tudo com um adendo: o de já serem realizados em suas próprias profissões - o que poderia afastá-los da fatal tentação de transformarem o casamento num grande negócio, numa parceria comercialmente rentável.

(6) Pensando e pensando, conclui claramente que, para que essas regras básicas possam ser sustentadas e se tornar uma plausível realidade, ambos os amantes deveriam ter que poder atestar (sob juramento oficial, passível de punição de acordo com a lei) que podem muito bem viver sozinhos, em solitude, por si sós, e que não têm nenhum tipo de dependência ou vício psicológico estritamente vinculado ao tão amado ser amado.

Bom, como o tema é extenso, denso, complexo e inesgotável, vai continuar dando muito pano pra manga. Mas, para começar, essas seis regrinhas básicas me parecem suficientes, além de bem trabalhosas de serem seguidas.



Escrito por rosana biondillo às 12h12
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A nobre arte do silêncio

A arte do silêncio interior chama-se Antar Mouna. É quando a mente entra num estado de aquietamento, de conforto sem conflitos, sem discussões nem argumentações. A mente simplesmente fica quietinha e relaxada, sem necessidade de se justificar.

Ficar em silêncio é essencial, embora pareça ser uma tarefa hercúlea, praticamente impossível de se realizar. Podemos até ficar sem pronunciar palavras ou emitir sons durante um certo tempo, mas a cabeça, essa não pára nunca de tagarelar. Por isso, ficar com a boca fechada, sem falar, não significa a mesma coisa que praticar a nobre arte do silêncio.

É extremamente comum confundir-se o não ter nada a dizer, seja por desmotivação, por preguiça, por incapacidade intelectual, por intimidação, por timidez, por falta de argumentos ou mesmo por traumas e distúrbios, com ficar em silêncio por opção, sensibilidade e inteligência.

Fazer silenciar pelo uso da força e da admoestação, bem como pelo abuso de poder, é uma das formas mais brutais de violência e de cerceamento da liberdade de expressão. Por outro lado, falar tudo o que se pensa, sem uma triagem reflexiva contextual, concomitante com a situação e o momento, não é ser autêntico, carismático, sincero e muito menos verdadeiro: é apenas uma outra forma (ao que tudo indica, mais aceita na nossa sociedade tão carente de gentilezas e de atitudes éticas) de grosseria e violência.

Antar Mouna parece nascer no "descanso" do cérebro e atingir as camadas mentais, em seus vários níveis e profundidades, predispondo-as à manutenção do silêncio. Mas Antar Mouna também, e especialmente, nasce no sentimento do coração, se espalha pelo restante do corpo e chega à mente, de maneira natural, voluntária e sem imposições. Isso porque, no Yoga, não existe uma divisão explícita entre corpo e mente, mas tão somente a possibilidade de se vivenciar e sentir a fluidez entre um e outro.

Do mesmo modo, som e silêncio não devem ser vistos como antagônicos ou radicalmente separados. O silêncio, em si, não supera a força das palavras que carregam idéias e significações, assim como palavras vãs não conseguem suplantar o fecundo e profundo silêncio que vem do âmago do ser. Porém, é muito importante perceber que, enquanto houver imposições, o essencial silêncio interior não pode existir, assim como a sabedoria das palavras não pode se manisfestar.

Silêncio é liberdade.

Som é liberdade.

Palavra é liberdade.

Entre calar e falar, valorize e aprenda com os dois. Mas, naquele momento crítico de indecisão, de dúvida cruel, onde não se tem a menor idéia do que dizer, vale lembrar-se do ditado popular:

"Em boca fechada não entra mosquito".

A bem da verdade, não entra nem mosquito nem nada mais! Mas, o interessante nesta analogia, é observar não especificamente o ato de "não entrar", mas o de "não permitir sair".

Concordo que este é apenas um dispositivo de emergência até simplista, porém útil, para que o indesejável "não saia" impensada e abruptamente sob a forma de palavras, que podem vir a ferir profundamente um outro ser humano. Mesmo porque, nem sempre quem cala, consente. Algumas vezes, quem cala está apenas exercendo a capacidade de ser consciente.

Fica aqui a sugestão:

PRATIQUE SILÊNCIO!



Escrito por rosana biondillo às 06h27
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A cura





Em uma de suas frases maravilhosas, Iyengar diz:

"O Yoga nos ensina a curar o que não precisa ser suportado e a suportar o que não pode ser curado".

E isso não somente no campo físico, mas em todas as áreas da vida.

Talvez este seja o momento de considerar a possibilidade de você estar sofrendo desnecessária e fantasiosamente ou, por outro lado, a possibilidade de estar mascarando uma revolta contida e ligada à não-aceitação de sua própria condição.

Reflita e tome as rédeas de sua vida de forma firme e ao mesmo tempo flexível, curando o que você não tem que suportar e aceitando aquilo que, pelo menos por enquanto, ainda não dá pra curar. Mas perceba,  também, que Iyengar não nos fala em desistir: de tentar, de buscar, de aguardar, de perseverar.

As palavras de Iyengar não são de resignação!!! São de transformação!!!

Lembre-se bem disso antes de se conformar com a vida, com a sua vida.

Fluir & deixar fluir: esta é a arte, esta é a cura!



Escrito por rosana biondillo às 18h17
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Nossos altos & baixos

"A vida é mesmo assim: dia e noite, não e sim", diz o poeta Lulu Santos na canção.

Didaticamente falando, a vida está repleta de dualidades, que são comumente consideradas como estados opostos. De forma ilustrativa, eu particularmente costumo denominar esses estados dualistas baseada na nossa velha conhecida expressão: "altos e baixos". E a vida é, sim, mesmo assim: cheia de altos e de baixos. Na concepção da maioria, mais cheia de baixos do que de altos!

Só que aquilo que parece ruim a princípio, pode se revelar uma grata oportunidade de superação dos próprios limites. E aquilo que pode soar masoquista e pessimista para alguns fanáticos otimistas de plantão, pode vir a se tornar a mola propulsora para uma mudança há muito desejada.

Ainda não há como negar que é somente nas horas difíceis, e até mesmo inexplicáveis, que somos efetivamente testados em nossas convicções mais profundas. Ser feliz em tempos abastados e prósperos é redundância. Conseguir ser feliz apesar de todas as adversidades é sabedoria.

Nossos altos e baixos recebem o nome técnico de crises. E todos nós, indistintamente, vivemos imersos em nossas crises pessoais, pois não há como ser diferente: faz parte do nosso processo inato de amadurecimento e de transcendência de nossas próprias limitações.

Como ensinam algumas tradições orientais, agradeça a existência de seus inimigos muito mais que a de seus amigos!

A princípio, esse conceito pode parecer demasiado árduo para se refletir a respeito, mas seus maus bocados na vida vão fazer com que você se supere sempre e cada vez mais. Por mais inverossímel que possa parecer, tenha certeza disso e confie em sua intuição, pois a noite não é oposta ou antagônica ao dia, mas tão somente seu complemento, sua continuação e sua valorização. Do mesmo modo, seus períodos mais críticos e difíceis, que abarcam suas mais amargas crises, são apenas fases preparatórias para que você possa efetivamente se superar e aprender a valorizar a vida como a maior de todas as dádivas, como seu melhor e mais valioso presente.



Escrito por rosana biondillo às 15h56
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Gurus Líquidos

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman tem, em sua extensa obra, três títulos preciosamente interessantes:  Liquid LifeLiquid Fear e Liquid Times: Living in an Age of Uncertainty. Este último, se não me engano, foi traduzido por aqui com o título de Relacionamentos Líquidos. Daí a analogia com o título desta postagem.

Quando soube da patética história protagonizada por determinado professor de yoga, que mereceu reportagem no programa Fantástico, da Rede Globo, não consegui evitar o literal trocadilho: guru líquido!

Com todo o meu respeito e solidariedade às vítimas e aos seus familiares, se a coisa toda não fosse tetricamente trágica, seria grosseira e repugnantemente cômica, ao modelo de alguns programas de tv que se dizem humorísticos.

Por conta disso, poderia escrever aos montes, falar aos montes, espernear aos montes, rir aos montes, blasfemar aos montes, assim como essas vítimas eliminaram o que eliminaram aos montes.

Mas, vou me ater ao que Bauman sugere: vivemos numa época de relacionamentos líquidos, onde a substância está vertiginosamente cedendo lugar à liquidez, à fluição gratuita, rápida e fortuita de nossas opções e afeições.

Vivemos numa época de gente líquida, escorregadia, facilmente absorvível, assustadoramente moldável e adaptável.

Vivemos numa época em que a única certeza é exatamente a incerteza. Por isso, vivemos numa época em que buscamos desenfreadamente nos outros aquilo que só podemos encontrar em nos mesmos.

Toda essa gente lesada por esse tal guru de meia tigela, a exemplo de vários outros que nem sequer imaginamos que possam existir, estava, no fundo, buscando uma certeza substancial para suas vidas. Pois é exatamente isso o que as pessoas costumam buscar quando optam pela prática do Yoga: substância vital.

Agora, vou dizer uma coisa bastante óbvia, que você vai compreender muito bem: só pode ofertar substância quem a tem e sabe como cultivá-la. Gente líquida, em especial aqui os fake gurus, não têm a menor noção do que isso possa significar.

Lastimável, tudo isso. Mas que nos sirva de mais uma lição.

Para quem ainda não viu a reportagem do Fantástico e quer saber sobre o assunto.



Escrito por rosana biondillo às 16h01
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Yoga é religião?

Muitos são os leitores que me escrevem perguntando exatamente isso:

Mas, afinal de contas, Yoga é religião? Porque tem uma parte que é tão espiritual, elevada, etérea, mística, etc e tal.

No intuito de favorecer a reflexão sobre este tema, estou publicando aqui um texto, escrito em 2003, que procura agregar informações abalizadas de yogis & pesquisadores de reconhecimento comprovado.

Boa leitura e que possa lhe ser útil.

Namaste!

Rosana

O Katha-Upanishad , cuja composição situa-se por volta dos séculos IV ou V a.C. (mas como não há como ser conclusivo nessa data, alguns pesquisadores o situam como posto por escrito no ano 1000 a. C.), é um texto que é tido, em geral, como o mais antigo a tratar explicitamente do Yoga. Segundo Georg Feuerstein, em A Tradição do Yoga :

"O desenvolvimento das novas doutrinas yogues se dá, no texto, em torno de uma antiga lenda: certa vez, um brâmane pobre ofereceu aos sacerdotes, como taxa de sacrifício, algumas vacas velhas e fracas. Seu filho Naciketas, preocupado com o destino do pai na outra vida, ofereceu-se a si mesmo como oferenda mais digna. Despertou com isso a ira do pai, que enviou-o a Yama, soberano do mundo da morte. Yama, porém, estava ausente, e Naciketas teve de esperar três dias sem comer nem beber até que o poderoso deus voltasse ao seu reino. Satisfeito com a paciência do rapaz, Yama concedeu-lhe três pedidos.

Primeiro, o rapaz pediu que fosse devolvido vivo ao seu pai. depois, pediu para conhecer o segredo do fogo sacrificial que leva ao céu. Por fim, insistiu em conhecer o mistério da vida após a morte. Yama procurou fazer o rapaz desistir do terceiro pedido, oferecendo-lhe em lugar dele outras coisas aparentemente muito mais interessantes, como filhos e netos, uma vida longa, rebanhos imensos, a convivência com as ninfas celestes, etc. Quando viu que Naciketas jamais desistia do pedido, Yama passou a instruí-lo no caminho da emancipação. Num certo nível, a história retrata a determinação que os que buscam a espiritualidade têm de ter no caminho, desafiando até mesmo a morte. Num outro, representa o processo iniciático, que exige reclusão, o jejum e o confronto com a morte."

Nesse texto, os ensinamentos transmitidos por Yama (simbolizando o mestre), a Naciketas (que simboliza o aspirante ou discípulo), no caminho da emancipação, revelam que o Yoga é esse árduo caminho.

O primeiro grande significado do Yoga é o de ser uma via da espiritualidade que demanda determinação, aplicação e disciplina, e não, propriamente, o de ser mais uma forma de religião como a concebemos na atualidade. Tanto que a doutrina proposta pelo Katha-Upanishad é chamada de Adhyatma-Yoga - o Yoga do Si Mesmo Profundo. 

Swami Vivekananda (quem oficialmente apresentou o Yoga ao Ocidente em 1893) assim descreve o surgimento do Yoga:

"Assim, o homem, depois de suas buscas vãs de vários deuses, completa o ciclo e descobre que o Deus imaginado por ele como sentado no céu, governando o mundo, é seu próprio Eu. Nenhum outro, a não ser o Eu, era Deus, e o pequeno eu jamais existiu." (em Quatro Yogas de Auto-Realização)

Ao constatar a existência de um Eu Superior (em sânscrito Atman ), cuja manifestação interior é a própria essência do Yoga, nas palavras de Swami Vivekananda, o homem percebe a possibilidade de um Deus não-pessoal, isto é, de um Deus não-dogmático, cuja forma e comportamento não se encaixam especificamente em nenhuma das grandes religiões da humanidade, se bem que não exclua a nenhuma delas. Inclui-se aqui o Hinduísmo, que, segundo algumas análises, de fato não incorporou o Yoga entre suas práticas - embora um dos textos consagrados ao Yoga, o Bhagavad Gita , seja um dos capítulos mais conhecidos do Mahabharata , a epopéia da Índia e do Hinduísmo.

A palavra Deus no Yoga não se relaciona ao seu sentido apenas religioso, mas especialmente ao seu sentido metafísico e transcendental. De acordo com Georg Feuerstein:

"Deus, nesse sentido, não é o Deus Criador das religiões deístas, como o Judaísmo, o Islamismo e o Cristianismo. Antes, Deus é a totalidade transcendental da existência (...)". (em A Tradição do Yoga )

E ainda, como bem salientou Swami Sivananda em seu livro Bliss Divine :

"A prática de Yoga não se opõe a nenhuma religião. Ela é puramente espiritual e universal. Não contradiz a fé sincera de ninguém. O Yoga não é uma religião, mas um auxílio à prática das verdades espirituais básicas em todas as religiões. O Yoga pode ser praticado por um Cristão ou um Budista, um Muçulmano, um Sufi ou um ateu."

Portanto, o Yoga se caracteriza como um caminho que pode ser trilhado indistintamente por todos, quer sejam religiosos ou ateus, e especialmente por aqueles que não se detiverem apenas nas diferenças entre suas várias escolas, mas que celebrarem as semelhanças entre todas elas. 


Escrito por rosana biondillo às 17h34
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Sagrado olhar

Toda vez que olhamos para alguma coisa ou alguém, estamos entrando em contato com uma dimensão que engloba o reino do sagrado. Praticamente tudo pode ser visto como sagrado ou como profano: só depende do olhar.

Fora de nós, as pessoas e suas atitudes, os objetos e suas utilizações, a própria natureza, são apenas o que são: nem mais nem menos. As atribuições, somos nós quem as ofertamos.

- É preciso ter olhos para ver, minha querida!, diziam meus pais desde minha mais tenra idade.

De fato, quando criança, algumas vezes meus olhos chegaram a arder e a lacrimejar, de tanto fixá-los naquilo que me chamava a atenção. Era uma coisa de olhar prolongadamente que, guardadas as devidas proporções, carrego comigo até hoje, embora de forma bem mais amenizada, treinada e educada.  

O olhar é a única coisa que verdadeiramente suprime a necessidade das palavras e é capaz de transformar o silêncio em divina melodia.

O olhar exprime o fluxo da alma e revela a essência das ações.

Especialmente no Yoga, o olhar tem uma função muito especial e sensível: a de fazer despertar em nós o significado do profundo e do sagrado em todas as coisas, em todos os seres.

Simbolicamente, o Yoga também é designado apenas para aqueles que têm "olhos para ver".

É preciso ter "olhos que queiram ver" para se poder enxergar a essência e a sabedoria do Yoga, bem como da própria vida, em toda sua plenitude e beleza.  

Sagrados sejam nossos olhares. 



Escrito por rosana biondillo às 05h59
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Rir ainda é o melhor remédio

Hasya, em sânscrito, significa sorrir, gargalhar, dar risada. E o Hasya Yoga tornou-se, portanto, o Yoga do Riso.

Parece brincadeira e até motivo de riso, mas posso assegurar que a coisa é séria. Tão séria, que na Índia já existem associações dedicadas especialmente a essa, digamos, modalidade. São espécies de clubes, onde os membros se reúnem para rir durante períodos que duram, em média, uma hora.

O idealizador do Hasya Yoga é o médico indiano Madan Kataria, que assim resolveu chamar seu método terapêutico, pois ele é inspirado em algumas técnicas do Yoga, mais especificamente os pranayamas e os asanas. Digamos que ele tomou emprestadas essas técnicas e as adaptou para formar seqüências harmônicas que têm por finalidade simular uma boa gargalhada. E se você ainda tinha alguma dúvida de se rir é realmente o melhor remédio, o Dr Kataria parece que já não tem nenhuma. Segundo ele:

"Essa prática do riso passa progressivamente de um exercício de sons ho ho, ha ha para outros tipos de risadas simuladas. É o que chamo de meu 'coquetel de risadas'."

Cada risada é mantida pelo tempo médio de 45 segundos e é seguida de exercícios de respiração profunda e de alongamentos. No repertório, há vários tipos de risadas, entre as quais encontram-se, por exemplo, a do coração, a da saudação, a silenciosa, que é feita com a boca aberta, a do leão, e uma ainda mais dinâmica, que inclue movimentos giratórios dos braços.

Um detalhe importante: o Hasya Yoga foi concebido para ser praticado em grupos com vários participantes, porque a motivação é muito maior, e compartilhar esses momentos de alegria pode fazer toda a diferença para se alcançar melhores resultados.

Segundo Kataria, a prática regular do Yoga do Riso promove:

- melhora da musculatura abdominal, que ajuda a tonificar o sistema digestivo;

- aumento da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, que ajudam a estimular e a tonificar o sistema circulatório;

- melhora da tonicidade do sistema respiratório, pela utilização da plena capacidade dos pulmões, devido à absorção do prana;

- melhora da auto-estima, promovendo a auto-aceitação e desenvolvendo um olhar mais positivo em relação à vida.

"Rir nesses clubes do riso é a forma mais pura de dar risada, porque não há nenhum motivo especial para que isso aconteça. Não é um riso dirigido aos outros, mas sim a nós mesmos, pois aprendemos a rir de nós mesmos", diz Kataria.

O filósofo que ri

E muito embora eu concorde em gênero, número e grau sobre a importância de se ter bom humor, de poder rir de si mesmo e de poder levar alegria a outras pessoas, deixo aqui um motivo de reflexão: o desespero também é capaz de provocar muitas gargalhadas. Lembram-se de Demócrito, que ficou conhecido como o filósofo que ri? Ele viveu em cerca de 460-370 a.C. e foi o responsável por uma das primeiras teorias sobre os átomos, conhecida como Teoria Atomística, que, por sua vez, filosoficamente deu origem a uma teoria ética.

A teoria ética de Demócrito era baseada em um sistema puramente determinista, eliminando assim qualquer liberdade de escolha individual. De forma bem resumida, pode-se dizer que, para Demócrito, a liberdade de escolha era uma ilusão, já que não podemos alcançar todas as causas que levam a uma decisão. E por isso, Demócrito ria: de desespero, do mais puro desespero.

Por isso, vou finalizando com uma passagem de Amor pra recomeçar, de Roberto Frejat - um poeta-músico contemporâneo, que é mais conhecido apenas como o Frejat do grupo Barão Vermelho - que, na minha opinião, sintetiza muito bem o sentimento de se poder exercer tanto a alegria quanto a tristeza que existem em todos e em cada um de nós:

"Quando você ficar triste, que seja por um dia e não o ano inteiro, e que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero."



Escrito por rosana biondillo às 16h36
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Todos desejamos ser mestres

Diz um antigo provérbio chinês que as mais altas torres começam no chão. Parece óbvio que assim seja, mas, na vida real, as coisas não acontecem bem assim. Começar do começo é tarefa para poucos. E começar do começo e continuar persistindo, apesar dos pesares, é tarefa para pouquíssimos.

A narrativa abaixo é de Swami Prabhavananda, uma passagem de um conto indiano que exemplifica bem a importância de se estar preparado e disposto a começar do começo. Diz ele:

"Certo homem procurou um mestre e pediu-lhe para ser seu discípulo. Com intuição espiritual, percebeu o mestre que o homem não estava ainda preparado para ser instruído. Por isso, lhe perguntou:

- Você sabe o que precisa fazer para ser meu discípulo?

O homem respondeu que não e pediu ao mestre que lho dissesse.

- Bem, disse o mestre, você precisa ir buscar água, apanhar lenha, cozinhar e trabalhar muitas horas em serviços pesados. Precisa também estudar. Está disposto a fazer tudo isso?

O homem respondeu:

- Sei agora o que o discípulo precisa fazer. Diga-me, por favor: o mestre, o que ele faz?

- Ah, o mestre fica sentado, e, em sua maneira recolhida, dá as instruções espirituais.

- Entendi, disse o homem. Nesse caso, não quero ser discípulo. Por que você não faz de mim um mestre?"

E Swami Prabhavananda conclui:

"Todos nós desejamos ser mestres. É preciso, porém, que antes de nos tornarmos mestres, aprendamos a ser discípulos."

Em pleno século 21, quando as mais variadas tradições estão sendo questionadas e as palavras ética, atitude e responsabilidade conscientes parecem não fazer mais sentido, começar e/ou recomeçar do começo e persistir - a despeito de alguns dos mais desvairados modismos comportamentais - é o verdadeiro desafio.

Sugestão de leitura

Para quem quer conhecer um pouco mais sobre a sempre tão delicada relação mestre-discípulo, sugiro a leitura de dois livros mundialmente conhecidos:

Autobiografia de um Yogi, de Swami Paramahansa Yogananda, e Vivendo com os Mestres do Himalaya, de Swami Rama.



Escrito por rosana biondillo às 07h40
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Os poderes dos mantras

Há várias histórias relatando os poderes excepcionais dos mantras, mas há pouquíssimas esclarecendo a realidade por trás desses fenômenos. Por isso, estabelece-se uma ligação de mistério e de segredo, como se o verdadeiro mantra devesse ser mantido a sete chaves e somente ser revelado a alguém muito especial e preparado para receber essa transmissão.

Fala-se muito que o mantra, para ser legítimo, deve ser transmitido por um guru ou mestre qualificado. Fala-se também que deve ser individual, o que significaria que cada pessoa tem seu próprio mantra, uma espécie de mantra pessoal. Mas o que se fala mesmo, é que os mantras são palavras secretas e poderosíssimas.

Essa coisa do poder é sempre muito delicada. Mas os "poderes" que envolvem os mantras não deveriam ser associados a realizações externas de desejos pessoais, por mais valorosos e dignos que esses desejos possam ser. Esse é sempre um aspecto limitador do mantra, como o é para as demais atribuições confiadas ao Yoga. Segundo Patañjali, os poderes são perfeições no estado de vigília, ou do mundo ordinário de causas e efeitos, mas eles constituem obstáculos no estado do conhecimento supremo.

Certa vez, perguntaram a Ramana Maharshi se era verdade que os yogis tinham mesmo esses poderes meio mágicos, entre eles o poder de devolver a vida a um morto ou até mesmo de ressuscitar. Ramana resumidamente disse que sim, que era verdade, mas que nunca e nem niguém pedisse isso a ele, pois ele não tinha, e nem queria, esse poder ou outro qualquer. Para Ramana, essa coisa de poderes não era nada atraente...

Swami Tilak dizia que os mantras não são secretos, são apenas sagrados, e Patañjali nos ensina que os poderes nunca são a meta, mas apenas pequeninas e praticamente insignificantes vias de reconhecimento, os quais devem ser, ao seu devido tempo, totalmente descartados.

E, mais uma vez, a sabedoria de Ramana Maharshi flui com muita precisão quando ele diz que todos os grandes reis e estadistas, de tempos passados e de agora, sempre lutaram pelo poder, tentando governar outros, quando bem no seu íntimo não conseguem governar a si mesmos. Segundo Ramana, o verdadeiro poder pertence somente àquele que sabe governar a si mesmo, seguro de que aquilo que não está dentro de si, não pode vir de fora. Da mesma forma, os mantras só podem ser considerados poderosos quando vibram de encontro ao verdadeiro poder já instalado do lado de dentro do ser. Caso contrário, não passam de superstições que exacerbam ainda mais a ignorância, a intolerância e o preconceito.

Por um ângulo mais pessoal, penso que falar sobre poderes que racionalmente beiram a ficção sempre confere um ar de mistério e de descrença em relação a algumas práticas do Yoga, incluindo as mântricas. Ao mesmo tempo, essa tendência não traz nenhuma informação nova e, a longo prazo, somente serve para afastar as pessoas lúcidas e inteligentes que buscam o Yoga para descobrir poderes mais "simplezinhos", como se conhecer melhor para viver melhor, respeitando e convivendo pacificamente com todos os demais seres e a natureza. Se pudéssemos viabilizar apenas essa realidade, esse seria, sem dúvida, o maior e mais poderoso de todos os poderes imagináveis, pois ao invés de ressucitarmos os mortos, celebraríamos uma vida justa e feliz para todos; ao invés de podermos caminhar sobre as águas, simplesmente teríamos água potável em abundância para prover, alimentar e manter a vida em harmonia.

Nas palavras sempre lúcidas de Thich Nhat Hanh: 

"Milagre não é andar sobre as águas ou nas nuvens, mas dar cada passo consciente."



Escrito por rosana biondillo às 06h44
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Objeto de desejo

Como seres humanos, desejamos o tempo todo! Sempre digo que, ao acordar cedinho pela manhã, nosso maior desejo é poder continuar dormindo só mais um pouquinho...

Desejamos dezenas de vezes durante o período de um dia apenas. E uma vez que estamos nos referindo a desejos comuns, desejados por pessoas comuns, nada mais comum do que considerarmos o fato de sentirmos desejo como parte inerente à nossa condição humana.

Os desejos nos invadem por intermédio dos sentidos e dos estímulos externos. Essa é a parte óbvia dos desejos. Por isso, alguns ditados populares conseguem ser tão perspicazes, como o famoso
"o que os olhos não vêem, o coração não sente".

Mas o que vai determinar nossa capacidade de irmos além do sentido óbvio dos desejos, é a auto-investigação, é o conhecimento das forças motrizes que geram esses desejos, é o desenvolvimento da aptidão de nos tornarmos conscientes dos conteúdos desses mesmos desejos e de seus possíveis desdobramentos e conseqüências. Porque, verdade seja dita, desejos são apenas desejos e existem primordialmente no campo da imaginação. Comumente não se transformam, ou são transformados, em realidade com propriedade e discernimento.

Um desejo só ganha corpo quando, pela ação da consciência e da vontade disciplinada, se transforma num querer mais profundo, numa superior força de vontade - o que vai sempre exigir trabalho, dedicação e disciplina.

As crianças, em sua ingenuidade e liberdade, desejam tudo o tempo todo e choram e esperneiam quando são frustradas em seus desejos. Um indivíduo adulto, maduro e consciente, entretanto, "supostamente"  já deveria saber como lidar com suas frustrações que, via de regra, são conseqüências de desejos não-realizados e/ou não-realizáveis.

Pela prática regular do Yoga, nos transformamos, nos transmutamos em pessoas mais conscientes, com mais maturidade e mais força de vontade disciplinada e ética. E é a partir desse momento, que nascemos para um novo sentimento, entendimento e aproveitamento das várias forças que nos movem - entre elas, nossos incontáveis e, por que não dizer, inconfessáveis desejos.



Escrito por rosana biondillo às 10h25
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Os sons da respiração

Iyengar demonstrando os sons da respiração.

Pra quem pensa que sabe o que é uma inspiração.

Pra quem pensa que sabe o que é uma expiração.

Pra quem pensa que sabe o que é Pranayama.

Mas, especialmente, pra todos aqueles que sabem que não sabem.

E que querem sinceramente aprender.



Escrito por rosana biondillo às 11h44
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Parede é tudo de bom!

Nas aulas de Iyengar Yoga, ninguém discute a importância que uma simples parede pode ter. Nesse estilo, parede é tudo: a gente se apóia na parede para realizar várias posturas, se pendura em equipamentos fixados na parede, se equilibra segurando na parede, sobe e desce pelas paredes, literalmente. Mas, ao meu ver, essas qualidades arquitetônicas não são as únicas utilidades que a parede pode ter nas aulas de Yoga de todos os estilos.

Saber utilizar bem um simples pedacinho de parede pode se transformar num procedimento ético permeado de extrema educação, delicadeza e sensibilidade, além de ajudar a evitar situações constrangedoras.

Embora nem sempre seja possível distribuir os espaços das salas de prática de modo a acomodar cada aluno com um segmento de parede atrás de si, esse é o meu diagrama preferido, desde a época em que ainda nem sonhava em ser professora de Yoga.

Lembro-me, a título de ilustração, de uma cena que aconteceu com um amigo, há muito tempo. Estávamos numa aula, com os tapetinhos uns atrás dos outros, em fila indiana. Eu fui lá para o fundo da sala, onde sabia existir uma parede bem atrás de mim. Meu amigo não teve a mesma sorte e, ainda por cima, tinha na sua frente uma garota linda, vestindo uma calça legging preta meio transparente, com um topzinho bem "inhozinho". Na hora de permanecer por míseros três minutos em Adho Mukha Svanasana, nem preciso dizer o que aconteceu com o meu amigo, tamanho foi seu constrangimento. Eu, lá atrás, percebendo a situação, comecei a rir bem baixinho, mas como eu estava na mesma linha de visão que ele, vi quando ele olhou, por entre o afastamento de suas pernas, na minha direção. Aí, não teve mais jeito: ele rindo de lá e eu de cá. E a moça, nem aí, linda e firme em Adho Mukha. Eu tentei disfarçar e fiz um Yoga Mudra para ninguém perceber e fiquei por lá mesmo, rindo bem baixinho, fingindo que estava respirando em Ujjayi. Já ele teve que agüentar firme até o final da aula.

Mas, esse foi apenas um dentre os vários momentos em que senti na pele a importância de ter uma parede ao meu dispôr. Uma outra vez, foi numa aula de meditação com focalização do olhar, os drishtis. Um rapaz, sentado bem na minha linha de visão... Bom, nem preciso continuar. Nesse momento, eu entendi por que os yogis meditavam em cavernas. Porém, dessa vez, não tive dúvidas: virei para a minha amada parede e imediatamente me senti numa caverna, a salvo de todas as distrações exteriores.

Com certeza, você deve imaginar outras situações reais tão comuns, e ao mesmo tempo engraçadas, que fazem parte da vida daqueles que se dedicam ao Yoga. E, apesar de toda a metodologia, foi também por essas e por outras que eu aprendi a valorizar a importância de uma simples parede.



Escrito por rosana biondillo às 10h55
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Entendendo melhor a compaixão

Que eu sou admiradora do Dalai Lama (Tenzin Gyatso), tanto como Sua Santidade, como intelectual e como ser humano e cidadão do mundo, é nítido e notório. Considero-o uma pessoa admirável.

Quando, dia desses, abri o jornal e li a notícia de que um casal de acusados de crime hediondo e homicídio triplamente qualificado não tinha tido compaixão por sua frágil, inocente e indefesa vítima de apenas cinco anos, estarrecidamente percebi que essa é uma palavra, quase sempre, mal aplicada. Mas isso também serve pra mostrar o quanto usamos palavras de efeito cujos significados e abrangências sequer sabemos mensurar.

Compaixão é uma dessas palavras.

Usando os próprios dizeres de Sua Santidade, o XIV Dalai Lama, vou colocar aqui um tópico que considero fundamental para se refletir a respeito: a diferença básica entre compaixão com apego, ou parcial, e compaixão sem apego, ou imparcial, excetuando-se aqui qualquer cunho meramente religioso ou moralista.

Eis o que diz, a esse respeito, Sua Santidade:

"A compaixão pode ser aproximadamente definida em termos de um estado de mente que é não-violento, não-prejudicial, não-agressivo. Por isso, há o risco de se confundir compaixão com afeição e intimidade. Assim, constatamos que há dois tipos de amor ou compaixão. Por um lado, temos a compaixão ou amor que se baseia na afeição ou que está impregnada de compaixão. Esse tipo de compaixão ou amor e sentimento de intimidade é bastante parcial e distorcido. Baseia-se na consideração de que o alvo da afeição da pessoa é alguém muito querido ou próximo. Por outro lado, a compaixão genuína é livre desse afeto. Aqui, a motivação não é tanto o fato de que a pessoa é minha amiga, muito querida ou tem um relacionamento comigo. Em vez disso, a compaixão genuína baseia-se na razão de que os outros, assim como eu, também possuem um desejo inato de ser feliz e superar o sofrimento; assim como eu, os outros também têm o direito natural de realizar essa aspiração fundamental. Com base no reconhecimento dessa igualdade e comunidade fundamental, a pessoa desenvolve um senso de afinidade e intimidade; e com base nisso, a pessoa vai gerar amor e compaixão. Essa é a compaixão genuína."O primeiro tipo de compaixão, descrito pelo Dalai, é o que ele chama de compaixão com apego ou parcial: onde há intimidade, proximidade, amizade, cumplicidade, simpatia, atração. Esta é uma ilusória noção de compaixão. O segundo tipo, este sim legítimo, é o que ele chama de compaixão sem apego ou imparcial: onde não há intimidade nem amizade, onde pode até haver rejeição e discordância; nesse tipo de compaixão, há tão somente o reconhecimento da legitimidade do direito de todos nós (eu + os outros) de aspirarmos à felicidade e de superarmos o sofrimento, por mais que haja diferenças entre mim e outros seres.

Considero este um assunto essencial para a reflexão, facilitado aqui pelas palavras simples e didáticas do Dalai Lama - que, também por essa sua caracteristíca, de ser tão simples, direto e profundo, além de bem-humorado, tem minha admiração.

Nota: No vídeo, o Dalai Lama fala sobre a compaixão, a felicidade, o amor, o perdão... Vale a pena assistir e conhecer.



Escrito por rosana biondillo às 08h33
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O gosto da raiva

Por conta de colaboração para uma matéria, cujo tema central é como lidar com a raiva, me peguei refletindo sobre quanto tempo fazia desde a última vez que senti raiva de verdade. Fiz os meus cálculos e cheguei à conclusão de uma data específica. De lá pra cá, obviamente, surgiram algumas situações e episódios inquietantes, que me levaram a uma condição de indignação - sensação e palavra que eu acho especiais, além de muito úteis.

Numa amostra didaticamente light, me lembro agora que, em uma determinada ocasião, estava com uns amigos em um shopping aqui de São Paulo, quando recebi um telefonema de alguém que, para não dar mais detalhes, só posso dizer que "não deveria estar me ligando naquele momento", pois já havíamos conversado previamente. Mesmo assim, conversei, expliquei de novo, finalizei o papo. Três minutos depois, de novo. Tive que falar mais incisivamente, mostrar que não estava a fim de continuar ouvindo o monólogo em questão e pedi para desligar. Em seguida, toca de novo o telefone e, de novo, tudo de novo! Aí, fiquei indignada. Lembro-me que só disse que não queria mais ouvir, que não tinha mais nada para falar e desliguei o celular. Tudo isso ainda num tom de conversa. Respirei fundo e prossegui no meu passeio com aquelas pessoas tão interessantes, que, mesmo sem querer, acabaram vendo e ouvindo o que tinha acontecido nesses cinco minutos de liga-desliga.

- Você ficou com raiva?, me perguntaram.

- Não é raiva, não. É indignação.

Nesse momento, ainda que pudesse soar como desculpa esfarrapada, eu descobri que raiva e indignação são mesmo coisas diferentes, embora possam parecer iguais aos olhos de quem está só assistindo e não, sentindo.

Existe uma grande diferença entre sentir raiva e pensar sobre a raiva. Raiva a gente sente, não pensa a respeito. E a gente sente tanta raiva exatamente porque nunca pára pra pensar sobre ela, sobre o que, de verdade, pode causar raiva na gente. O raciocínio é tão simples que, de tão simples, chega quase a dar raiva.

Parar para refletir sobre a natureza da raiva e suas conseqüências é um exercício utilíssimo, pois só podemos tentar modificar algo que conhecemos e que sabemos os mecanismos de funcionamento. Essa é a maneira mais inteligente de deixarmos de ser joguetes nas mãos das emoções que nos aniquilam pouco a pouco. E a raiva é uma dessas emoções aniquilantes a longo prazo. Em casos extremos e patológicos, a curtíssimo prazo. 

Doses diárias de raiva são como gotas cumulativas de uma poção insipidamente maléfica.

Quanto à capacidade de se indignar e de se importar com a vida, com os seres, com a natureza e com os desdobramentos e conseqüências de nossos atos, essa é uma das grandes motivações para se trilhar o imprescindível caminho da mudança em nós mesmos e, por extensão, ao nosso redor. 

É a indignação que me faz continuar a valorizar a vida e a tentar achar uma solução para aquilo que me incomoda, que mexe comigo tensamente, que chega a me confundir. Mesmo porque, no Yoga, "ser pacífico" não significa, necessariamente, "ser passivo".

Quem conhece um pouco do Bhagavad Gita se lembra de uma das possíveis leituras interpretativas desse texto, onde Krishna instrui Arjuna a "lutar", a agir. De certa forma, Krishna nos ensina que não há sabedoria e equilíbrio sem a reta ação, sem uma certa dose de indignação e de movimento.

Nesse contexto, a indignação é uma forma de promover a transformação, enquanto que a raiva só leva à destruição - na melhor das hipóteses, de si mesmo. 



Escrito por rosana biondillo às 07h00
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Porque tem certas coisas que eu ainda não sei dizer

Mas ainda bem que existe a arte pra transmitir o que vai na alma.

Esta semana, em uma aula, falava sobre as vivências de Shanti, a paz, e de Santosha, a alegria de viver.

Usei a filosofia para exemplificar. Falei de Demócrito e do riso do desespero sem saída.

Imediatamente, me veio o Frejat cantando:

"Que você descubra que rir é bom,

mas que rir de tudo é desespero." 

Yoga, Filosofia, Arte...

Pois é...

Tem mesmo certas coisas que eu não sei dizer direito e nem sei por quê as quero dizer!!!

Mas, também, não sei se isso é assim tão importante...

Foi Gandhi quem disse:

"Não há um caminho para a paz.

A paz é o caminho." 

E o meu desejo é que esse possa ser um caminho repleto de puro contentamento e da mais pura alegria.

Porque paz e alegria são assim como almas gêmeas.

Meus agradecimentos ao Frejat.



Escrito por rosana biondillo às 07h45
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